A África do Sul está hoje em estado de alerta máximo na sequência das manifestações anti-imigração de 30 de Junho em curso, desde o início desta manhã, com a Policia advertindo que quaisquer actos de violência, intimidação ou desrespeito à lei serão respondidos com acção imediata pelas forças de segurança.
A tenente-general Tebello Mosikili, co-presidente da Estrutura Nacional Conjunta de Operações e Inteligência (Natjoints na sigla em inglês) e vice-comissária nacional para o policiamento, afirmou na noite de segunda-feira (29) em conferência de imprensa que o sector de segurança activou o seu plano operacional nacional, denominado Operação 30 de junho, com milhares de agentes da lei mobilizados nas nove províncias.
“Tenho o prazer de informar que, nas últimas 24 horas, o país permaneceu relativamente estável e o grupo de segurança entrou agora na fase de implementação completa da Operação 30 de Junho”, disse Mosikili.
Hoje, 30 de Junho, foi a data estabelecida pelo movimento anti-imigração March andMarch, fundado pela ex-apresentadora de rádio Vuma FM, Jacinta Ngobese-Zuma, como prazo final para que os estrangeiros sem documentos abandonem a África do Sul.
Ngobese-Zuma prometeu que as manifestações seriam pacíficas.
Segundo a Natjoints, semanas de planeamento meticuloso, colecta de informações e coordenação operacional levaram ao actual nível de prontidão.
“A partir deste momento, o nosso plano operacional nacional está totalmente activado. O país encontra-se agora em estado de prontidão operacional máxima”.
A Estrutura Nacional Conjunta de Operações e Inteligência afirmou que as forças de segurança sul-africanas estão em alerta máximo e que os serviços de inteligência estão monitorando os desdobramentos em tempo real, devido às marchas anti-imigração em curso na África do Sul.
Mosikili afirmou que as equipas de resposta a emergências, responsáveis por lidar com aglomerações e incidentes públicos, as unidades operacionais especializadas e de policiamento de ordem pública e a força aérea estão totalmente mobilizadas e em alerta máximo.
Mais de 33 mil câmaras de vigilância, drones e helicópteros farão parte da operação policial como factor dissuasor.
A co-presidente acrescentou que as estruturas de inteligência estão monitorando os acontecimentos em tempo real e que os comandantes operacionais estão recebendo actualizações contínuas para uma tomada de decisão rápida.
“Vamos mostrar ao mundo que a democracia na África do Sul é forte o suficiente para acolher protestos pacíficos, ao mesmo tempo que rejeita firmemente a criminalidade”, sublinhou a tenente-general da Polícia.
A conferência de imprensa foi convocada para actualizar o pais no meio de tensões crescentes antes das marchas contra a imigração ilegal em curso desde as primeiras horas de hoje, com as autoridades determinadas a evitar a repetição da violência e dos ataques xenófobos que surgiram em algumas partes do país nos últimos meses.
Mosikili reiterou que as Estruturas Nacionais e Provinciais Conjuntas de Operações e Inteligência e os centros de comando operacional estavam a funcionar 24 horas por dia.
“Entramos nas primeiras horas críticas desta operação nacional. Que não haja dúvidas: o governo está pronto”, alertando que o comportamento criminoso não seria tolerado.
“Garantimos a segurança de todas as manifestações pacíficas e legais. Protegemos todas as comunidades. Salvaguardamos as infra-estruturas críticas e vamos manter a ordem pública. E onde quer que a criminalidade se manifeste, responderemos de forma rápida, proporcional e decisiva, dentro dos limites da lei”, disse Mosikili.
Num dos alertas mais contundentes emitidos horas antes das marchas, a polícia instou qualquer pessoa que estivesse a planear actividades ilegais a reconsiderar.
“Para aqueles que pretendem infringir a lei nos protestos desta terça-feira, a nossa mensagem é simples: não testem a determinação do Estado”, frisou Mosikili.
O grupo de segurança também traçou uma linha divisória clara entre direitos constitucionais e conduta criminosa.
“Existe uma clara distinção entre exercer direitos democráticos e cometer crimes. Qualquer pessoa que ultrapasse essa linha deve esperar as consequências imediatas e integrais da lei”, afirmou.
As autoridades prometeram que nenhum indivíduo ou grupo teria permissão para minar a autoridade do Estado, intimidar comunidades, paralisar a actividade economica ou impedir que os cidadãos tivessem acesso a escolas, locais de trabalho e instalações de saúde.
Mosikili alertou ainda que armas perigosas, incluindo armas de fogo, facas e armas tradicionais, não seriam permitidas durante as manifestações.
O departamento de segurança também revelou que, desde Março, a polícia registou 103 casos relacionados a crimes contra estrangeiros e prendeu 195 suspeitos em todo o país.
Como sinal dos esforços contínuos do governo para fiscalizar a imigração, Mosikili afirmou que mais de 2.800 estrangeiros sem documentos foram presos somente na última semana, enquanto maisde 50.000 foram detidos desde Janeiro.
Acrescentou que mais de 25.000 estrangeiros já haviam sido repatriados.
“Todos os autocarros que transportam estrangeiros repatriados viajam sob escolta rigorosa das forças de segurança, desde o ponto de partida até os postos de saída”, disse.
O grupo de segurança afirmou também que infra-estruturas críticas, aeroportos, postos fronteiriços, instalações de saúde, centros comerciais e rotas de transporte estão recebendo protecção reforçada, enquanto as equipas de inteligência continuam monitorando os acontecimentos em tempo real.
Mosikili também alertou contra o conteúdo inflamatório que circula nas redes sociais.
“Estamos cientes de diversas narrativas que circulam em plataformas digitais. Nos casos em que se identifica conduta criminosa, as investigações são desencadeadas na hora. A incitação à violência é um crime”, declarou.
Pediu aos sul-africanos que não se deixassem intimidar por ameaças nas redes sociais e garantiu ao público que as autoridades estavam totalmente preparadas.
No dia 22 de Junho, o Ministro interino da Polícia, Firoz Cachalia, afirmou que além da mobilização de recursos policiais a um custo aproximado de 600 milhões de rands, o governo também contratou empresas de segurança privada para ajudar na manutenção da ordem pública.
Na ocasião, a Ministra da Defesa, Angie Motsheka, também afirmou que a Força de Defesa Nacional da África do Sul seria mobilizada “caso a situação saia do controle”.
A polícia metropolitana de Johanesburgoinformou que as três marchas autorizadas para esta terça-feira deverão condicionar o trânsito entre as 7 e as 16 horas.





