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Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

7 de August, 2026

Ka-Tembe às escuras: a segurança não espera por eleições

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Caminhar pelas ruas residenciais do Distrito Municipal da Ka-Tembe, ao cair da noite, é uma experiência que desafia a nossa coragem e impõe um clima de medo colectivo. Num contexto em que a imprensa e os noticiários televisivos nos confrontam diariamente com relatos devastadores de violência urbana por todo o país, a escuridão actual em Incassane alimenta uma constante sensação de vulnerabilidade. Mesmo na ausência de registos criminais graves na zona, o simples receio de transitar no escuro dita recolheres obrigatórios informais, altera rotinas e aprisiona os residentes nas suas próprias casas. Assim, a falta de iluminação já não é apenas uma falha técnica: tornou-se uma crise de segurança pública.

A realidade de Incassane serve de exemplo claro deste vazio absoluto no que toca à iluminação pública. Quem se desloca a partir da rotunda — seja desviando em direcção a Chamissava, seja seguindo rumo à Marinha ou ao cemitério de Incassane — enfrenta uma escuridão total. O mesmocenário de abandono repete-se no trajecto que se estende até à zona de Mutsekwa, junto ao terminal. São quilómetros de vias estruturantes e residenciais entregues às trevas.

Actualmente, os raros pontos iluminados são, na sua maioria, resultado directo do investimento de comerciantes, através dos empreendimentos que mantêm nas redondezas. Esta iluminação privada substitui o papel do Estado, mesmo nas proximidades de locais estratégicos como o Posto Policial de Incassane, a área contígua ao cemitério e no prolongamento da rua em direção à zona de Maputo Sul.

Manter vias inteiras nesta penumbra é inaceitável, desumano e um convite aberto para que os marginais operem com total impunidade, sabendo que as suas identidades e rotas de fuga estão protegidas pelas sombras que o Município e a EDM negligenciam. Esta ausência do Estado empurra os residentes para exercícios de sobrevivência financeira. Assistimos, num silêncio indignado, a vizinhos que compram candeeiros para os postes das ruas, tendo que suportar, muitas vezes, subornos aos técnicos da EDM para a instalação. Contudo, esta autogestão é um privilégio de poucos. A maioria das famílias locais não tem capacidade financeira para assumir estes custos e, assim, fica duplamente vulnerável e abandonada à própria sorte na área frontal das suas casas.

Esta gestão por omissão ganha contornos ainda mais graves quando analisamos o calendário do oportunismo político. Não podemos continuar a aceitar a humilhação de viver no escuro durante anos, a aguardar pacientemente que, na véspera de eleições, as lideranças municipais apareçam para prometer lâmpadas em troca de votos. A segurança das nossas mães, esposas, irmãs e dos trabalhadores que regressam a casa não tem partido político e não pode esperar pelo próximo ciclo eleitoral.

Perante isto, a questão impõe-se: para onde vai o dinheiro que pagamos obrigatoriamente em cada compra de energia e nos impostos associados? É inadmissível sermos forçados a desembolsar fundos uma segunda vez, de forma clandestina, para ter o direito básico de ver o chão que pisamos ao regressar do trabalho ou da escola.

O Conselho Municipal de Maputo e a EDM têm a obrigação legal e moral de desenhar e executar, com máxima urgência, a eletrificação contínua das nossas ruas residenciais. Iluminar as nossas vias não é um favor político; é retirar o poder aos criminosos, devolver a dignidade ao espaço público e garantir que o direito à integridade física não termine assim que o sol se põe. Exigimos luz e transparência hoje. Amanhã será, inevitavelmente, tarde demais para reverter as consequências desta negligência institucional.

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