Depois de ter garantido, várias vezes, que estava tudo controlado e que os moçambicanos residentes na África do Sul estavam todos seguros, o Governo corre agora atrás do prejuízo, lutando, mais uma vez, para repatriar, às pressas, os seus cidadãos. Em causa está a morte de pelo menos nove moçambicanos naquele país, vítimas da xenofobia.
Esta terça-feira, o Executivo anunciou já haver um plano de resposta para apoiar e repatriar cidadãos nacionais afectados pela violência xenófoba na chamada “terra do rand”. Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros desta semana, Ussene Isse, Ministro da Saúde, após os incidentes de violência verificados na sexta-feira, foi criada, imediatamente, uma equipa multi-sectorial.
O grupo, disse a fonte, integra representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, do Serviço Nacional de Migração e do Alto Comissariado de Moçambique, na África do Sul. As equipas, garante Isse, foram imediatamente destacadas para o posto fronteiriço de Ressano Garcia, na província de Maputo, para assegurar a recepção e o encaminhamento dos cidadãos que regressam ao país.
Segundo o Governo, o processo de repatriamento de cidadãos moçambicanos residentes na vizinha África do Sul conta com o apoio do Governo sul-africano, que disponibilizou seis autocarros com capacidade para 60 passageiros cada e 12 mini-autocarros para o transporte dos afectados.
De acordo com os dados do Governo, cerca de 884 moçambicanos foram afectados pela onda de violência xenófoba, que recrudesceu em finais de Março último. Destes, quase 584 encontram-se acolhidos temporariamente em centros comunitários, enquanto cerca de 300 regressaram ao país por meios próprios.
O Ministro da Saúde disse igualmente que 379 cidadãos moçambicanos já se registaram no Consulado de Moçambique, na cidade de Durban, manifestando a intenção de regressar ao país. A previsão é de repatriar cerca de mil cidadãos numa primeira fase.
Durante a conferência de imprensa, realizada após a 15ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, Ussene Isse lamentou as nove mortes, sublinhando que cinco moçambicanos foram assassinados, dois atropelados quando tentavam escapar dos ataques e outros dois perderam a vida num acidente de viação durante o regresso a Moçambique. “O Governo apresenta o seu sentido pesar e solidariedade às famílias enlutadas”, declarou.
O governante disse ainda que os cidadãos repatriados receberão apoio alimentar à chegada ao país, através de kits destinados a garantir assistência imediata e apoio temporário às famílias afectadas. Garantiu ainda que o Executivo vai passar a divulgar informações diárias sobre a evolução da situação, com o objectivo de assegurar uma comunicação regular e transparente junto da população.





