Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

24 de July, 2026

Senhor Presidente do Município de Maputo: a pergunta sobre a estrada Rotunda-Mutsekwa já não é só minha!

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Quando publiquei o meu primeiro artigo de opinião neste espaço, a questionar publicamente o Presidente do Município de Maputo, o senhor Razaque Manhique, sobre o destino das obras da estrada Rotunda-Mutsekwa, fi-lo movido pela minha experiência diária, pelas poeiras, pelos solavancos e pela legítima urgência de ver a Ka-Tembe progredir. O que eu não pensava, honestamente, era a força do eco que as minhas palavras teriam.

Nos dias que se seguiram à publicação, a minha rotina no bairro de Inkassane mudou. Recebi chamadas, mensagens de amigos e, acima de tudo, o abraço caloroso e o cumprimento firme dos meus vizinhos. Pessoas que se cruzam comigo todos os dias disseram-me, com os olhos esperançosos: “obrigado por escreveres o que todos nós sentimos. Força! Continue a escrever sobre a nossa Ka-Tembe”.

Este feedback massivo e positivo traz-me duas certezas fundamentais. A primeira é uma enorme alegria por perceber que a nossa comunidade está viva, atenta e partilha do mesmo desejo de dignidade. Afinal, a nossa exigência não nasce de um capricho, mas de uma quebra flagrante de promessas públicas escritas.

Quem passa por aquela via deve lembrar-se perfeitamente da placa informativa da obra, no início do ano de 2023. A placa informava, de forma clara, que o projecto de pavimentação ligaria a Rotunda até ao Hospital ou Posto Policial da Marinha. Contudo, volvidos três anos, a realidade no terreno é o retrato do abandono: os trabalhos avançaram pouco menos de 3 Km e pararam abruptamente e deixam uma infra-estrutura vital aquém da meta oficial.

A prova de que a edilidade conhece perfeitamente as nossas carências ficou evidente muito recentemente. A pretexto da visita do Presidente da República a Inkassane para inaugurar a sede do Centro de Pescas da SADC, assistimos a um espectáculo de eficácia efémera. Dias antes do evento, o município mobilizou escavadoras para limpar a estrada, nivelar areia e derramar água. Tudo foi meticulosamente preparado para vender uma ilusão de ordem à comitiva presidencial.

Contudo, a água que abafou a poeira evaporou assim que os carros da comitiva presidencial cruzaram a ponte de volta à cidade de Maputo. Para nós, residentes, o que restou foi a mesma e dura realidade de uma estrada por construir. A ausência desta via representa uma asfixia: nos dias de chuva, os acessos transformam-se em lagoas que isolam a comunidade. Na época seca, a poeira constante invade as casas, gerando problemas respiratórios em crianças e idosos.

O potencial da Ka-Tembe esbarra nesta política de cosmética, que investe em obras de fachada para o topo da governação ver, mas ignora o sofrimento de quem aqui vive. É aqui que surge a minha segunda certeza, que é estritamente política: a questão que deixei ao executivo municipal já não é apenas a dúvida de um munícipe. É a exigência colectiva de uma comunidade inteira que se revê em cada linha expressa. Os abraços que recebi não foram para mim, foram para a coragem de expor um problema comum. Inkassane e toda a Ka-Tembe não querem soluções temporárias “para inglês ver”, nem projectos paralisados sem explicação. Queremos a estrada estruturante que nos foi oficialmente prometida.

O Município de Maputo deve compreender que a resposta a esta crónica é, na verdade, uma resposta a centenas de moradores preocupados, mas conscientes dos seus direitos. Perante o silêncio e abandono, a nossa comunidade não ficará de braços cruzados. Exigimos que o município apresente um cronograma claro e público, não apenas para a retoma e conclusão das obras da rotunda até ao Hospital da Marinha, mas também, e principalmente, da estrada que se prolonga até ao terminal de Mutsekwa. Estão atentos, o futuro da nossa Ka-Tembe não pode continuar em lista de espera.

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