Contextualização
A xenofobia pós-apartheid não é um fenómeno episódico nem exclusivamente criminal. Ela emerge ciclicamente dos finais da década de 1990, associada ao desemprego estrutural, à competição pela economia informal, à degradação dos serviços públicos urbanos e à incapacidade do Estado sul-africano de absorver as expectativas sociais geradas no pós-1994. As grandes vagas de violência xenófoba de 2008, 2015 e 2019 tornaram-se marcos estruturantes da crise social sul-africana.
Por outro lado, a excessiva securitização do fenómeno agrava a sua percepção e enviesa qualquer evolução explicativa – académica, económica e ou política – tendente à sua eliminação apresentando soluções viáveis, práticas e duradouras. O ANC escuda-se nesta securitização e começa a solidificar-se dentro dele e no Estado a ideia generalizada de que os imigrantes ilegais constituem o principal factor de degradação económica e criminal, independentemente da consistência empírica dessa percepção.
Zuma e o “Síndrome de Scar”
Zuma é simultaneamente Scar e o fantasma de Mufasa: o usurpador que se apresenta como patriarca legítimo da casa que ajudou a destruir. Zuma opera como o rei destronado que recusa morrer simbolicamente.
O paradoxo é estrutural: foi expulso do governo, foi preso, criou o MK Party – o uMkhonto weSizwe Party (MK), lançado formalmente em Dezembro de 2023, apropriou-se simbolicamente do nome do antigo braço armado do ANC durante o Apartheid, transformando memória histórica em instrumento de contestação interna. Nas eleições gerais de Maio de 2024, o MK tornou-se a principal força política no KwaZulu-Natal (KZN), infligindo ao ANC uma das suas mais severas derrotas provinciais desde 1994.
Mesmo assim, o ANC não consegue expulsá-lo formalmente porque ele é o ANC para uma fatia significativa da base dentro da Aliança paira a percepção política de que expulsá-lo seria perder o KwaZulu-Natal de vez. Então ele existe num limbo útil para ambos os lados: denuncia o ANC, mas mantém a ambiguidade de identidade dentro dele.
No plano regional e identitário, o espaço deixado por Buthelezi é real, era o único com autoridade moral e histórica suficiente para conter o populismo zulu dentro de uma moldura constitucional.
A morte de Mangosuthu Buthelezi em Setembro de 2023 alterou significativamente o equilíbrio simbólico do nacionalismo político zulu, reduzindo a capacidade moderadora histórica do IFP sobre sectores mais radicalizados da província de KwaZulu-Natal. Zuma, junto com a família real Zulu (especialmente o Rei Misuzulu) ocupou o espaço político-simbólico deixado por Buthelezi. A diferença crítica: Buthelezi tinha uma visão de Estado. Zuma tem uma visão de sobrevivência pessoal e de facção.
Xenofobia 2026: a manipulação política de um fenómeno
A xenofobia é a mais horrenda exposição das disfuncionalidades do Estado neste caso a epítome da fragilização de Ramaphosa o que se nota pelo acto seguinte: a reabertura para o impeachment.
A crise política ligada ao escândalo Phala Phala, tornado público em Junho de 2022, fragilizou significativamente a autoridade moral de Ramaphosa dentro do ANC. O relatório parlamentar independente de Novembro de 2022 reacendeu discussões sobre eventual impeachment e aprofundou divisões internas no partido.
Há elementos que sustentam esta leitura. O timing é suspeito — a onda xenófoba intensifica-se exactamente quando o processo Phala Phala estava adormecido. A Operation Dudula e movimentos semelhantes de mobilização anti-imigração são movimentos de base, mas os movimentos de base podem ser instrumentalizados sem que os seus membros o saibam. E o KwaZulu-Natal (KZN), território de Zuma — é epicentro de muita da violência.
Os motins de Julho de 2021, desencadeados após a prisão de Zuma, demonstraram a capacidade de mobilização político-social existente em KwaZulu-Natal e expuseram fragilidades profundas do aparelho securitário sul-africano. A violência e sabotagem logística causaram prejuízos estimados em mais de 50 mil milhões de rand e mais de 300 mortos.
Contextualmente a xenofobia sul-africana tem ciclos próprios, independentes da política de cúpula. 2008, 2015, 2019. Em Maio de 2008, os ataques xenófobos causaram mais de 60 mortos e dezenas de milhares de deslocados internos, especialmente em Gauteng e Western Cape. Em 2015, Durban e Johannesburg voltaram a registar episódios violentos após declarações controversas atribuídas ao rei zulu Goodwill Zwelithini. Já em 2019, os ataques provocaram tensões diplomáticas regionais com Nigéria, Zâmbia e Zimbabwe.
Cada vaga antecedeu ou coincidiu com crises económicas, não necessariamente com jogadas internas do ANC. O desemprego acima de 33% é combustível suficiente para a violência sem necessidade de orquestração central.
Afrophobia ou Racismo Reverso?
Mas esta vaga tem todo o enredo de uma “cauda escondida com o gato de fora”: a afrophobia ou seja, o targetingespecífico de vítimas negras e africanas: Moçambicanos, malawianos, nigerianos, ganenses e zimbabweanos. Muitas vezes com contornos ultranacionalistas e de desumanização colectiva. Estes imigrantes também vítimas estruturais das disfuncionalidades nos seus países de origem.
O Professor André Thomashaussen da UNISA numa entrevista à Deutsche Welle traça um quadro catastrófico do sistema de educação sul-africano que, segundo ele, justifica que os nacionais exijam documentação aos pais estrangeiros que registam os seus filhos. Nas estatísticas sul-africanas os imigrantes ilegais não são apenas negros nem a competição económica reside apenas nestes.
Contudo, a violência xenófoba sul-africana apresenta um padrão racial e geográfico muito específico. A esmagadora maioria das vítimas históricas pertence a comunidades africanas negras oriundas da SADC e da África Ocidental. Moçambicanos, zimbabweanos, malawianos, etíopes, somalis, congoleses, e nigerianos figuram recorrentemente entre os principais alvos de ataques, pilhagens e assassinatos. Paquistaneses e bengalis ligados ao pequeno comércio urbano também foram alvo de violência em algumas vagas xenófobas.
Estudos da Human Sciences Research Council (HSRC), da South African Human Rights Commission (SAHRC) e da African Centre for Migration & Society demonstram que a hostilidade social raramente se dirige com igual intensidade a comunidades migrantes brancas, asiáticas de elite económica ou expatriados ocidentais. O fenómeno aproxima-se assim mais de uma afrophobia socialmente racializada do que de uma xenofobia universal.
Embora os números variem conforme a fonte e a metodologia, estimativas recorrentes indicam que:
Em contraste, comunidades europeias, norte-americanas, chinesas ou indianas de classe média-alta raramente figuram como alvo central das vagas de violência popular, apesar da presença relevante de imigração irregular e de redes económicas internacionais operando no país.
Dados do Department of Home Affairs e estimativas académicas sugerem igualmente a presença significativa de:
Apesar disso, estes grupos raramente são o foco prioritário das mobilizações xenófobas populares, o que reforça a leitura de uma violência selectivamente dirigida contra africanos negros, pobres e visíveis no espaço urbano informal.
A dimensão exacta da imigração irregular na África do Sul permanece altamente contestada. Estimativas variam entre centenas de milhares e vários milhões de pessoas, dependendo da definição metodológica utilizada. O tema tornou-se profundamente politizado no debate interno sul-africano.
Numa leitura mais provável, não se trata de uma operação planeada de cima, mas de uma crise instrumentalizada politicamente. Zuma percebeu a oportunidade e procura ampliar uma onda social já existente para desgastar Ramaphosa. Há diferença entre criar o fogo e soprar o fogo já aceso.
ANC: A Maldição do Segundo Mandato?
Nos dinamismos sucessórios, os movimentos de libertação sofrem de um mal: o mal da vez – seja tribal, de antiguidade, histórico ou de uma popularidade – este mal afecta muitos dos partidos libertadores ou dominantes da África Austral: o ANC, o BDP, a Frelimo, o MPLA e a ZANU-PF. Na SADC, apenas o Chama Cha Mapinduzi e a SWAPO parecem emergir relativamente incólumes desse fenómeno. É inegável que na Aliança o barulho é mais estridente e abertamente um vale tudo, ora vejamos:
• Polokwane (Dezembro de 2007): Jacob Zuma derrota Thabo Mbeki na sucessão do ANC, precipitando a queda de Mbeki da Presidência da República em Setembro de 2008;
• Mangaung (2012): consolidação do zumismo frente a Kgalema Motlanthe apoiado pela ala mbekista do ANC;
• NASREC (Dezembro de 2017): Cyril Ramaphosa vence a liderança do ANC, levando à posterior renúncia de Zuma em Fevereiro de 2018;
2027 poderá tornar-se novo ponto de ruptura sucessória caso Ramaphosa perca controlo provincial dentro do partido. Os substitutos são opacos e seguem a lei do vencedor da contenda, Kgalema Motlanthe é claro exemplo disso.
A lógica interna do ANC é esta: o Presidente da República é refém do Presidente do ANC. E o Presidente do ANC é refém dos delegados provinciais. KZN + Limpopo +Eastern Cape — quando alinham contra um líder, esse líder cai. É matemática de congresso, não democracia liberal.
A política interna do ANC é profundamente influenciada pelo peso dos blocos provinciais nas conferências nacionais do partido. KwaZulu-Natal, maior estrutura provincial do ANC em número de delegados, desempenha historicamente papel decisivo nas disputas sucessórias.
EFF + MK + Facção Anti-Ramaphosa do ANC: Uma Aliança de Conveniência?
Aqui reside o cenário mais arriscado e mais interessante. A ideia de uma aliança pós-Ramaphosa entre o EFF de Malema, o MK de Zuma e uma facção do ANC tem uma lógica de curto prazo: todos querem o mesmo — tirar Ramaphosa e reverter o alinhamento do ANC com o centro-direita (DA + GNU — Government of NationalUnity).
Mas é uma aliança de conveniência com contradições profundas: Malema e Zuma odeiam-se pessoal e ideologicamente. O EFF quer expropriação de terras e nacionalização — o MK usa esse discurso, mas Zuma é essencialmente um predador do Estado, não um ideólogo de Esquerda e foi pai e principal arquitecto político do fenómeno state capture. A Zondo Commission (2018–2022) concluiu que redes de captura do Estado operaram sistematicamente durante a presidência de Zuma, envolvendo SOEs estratégicas, contratos públicos e influência política exercida pela família Gupta.
Uma coligação assim governaria pelo mínimo denominador comum: retórica nacionalista e redistributiva racializada, frequentemente percebida por sectores liberais e empresariais como hostil ao capital branco tradicional, hostilidade crescente ao capital externo, e distribuição de renda via Estado — sem capacidade de construção institucional. O resultado económico seria previsível: fuga de capitais, downgrade, e provavelmente uma crise do randem meses.
O Fundo da Questão: Controlo da Economia
Aqui reside a questão nevrálgica: o controlo económico. A África do Sul tem uma economia com uma das estruturas de propriedade mais concentradas e racialmente desequilibradas do mundo. Trinta anos depois do Apartheid, a minoria branca (8-9% da população) ainda controla a esmagadora maioria do capital privado, terras agrícolas e sectores estratégicos.
O BEE/BBBEE foi um mecanismo de cooptação das elites negras, não de redistribuição estrutural. Criou uma classe média-alta negra ligada ao Estado, mas não alterou a estrutura de propriedade do sector privado.
A luta que procuramos descrever entre o centro-direita do GNU e as forças que querem “recuperar o controlo da economia” — é a versão sul-africana de uma tensão que existe em toda a África pós-colonial: a batalha de quem herdou o Estado, mas não herdou a economia.
A questão é se as forças que derrubarem Ramaphosa têm um projecto económico real ou apenas um projecto de redistribuição de renda do Estado via controlo dos concursos públicos – tenders – e captura do Estado — que foi exactamente o que Zuma fez entre 2009 e 2018, com resultados catastróficos para a própria base que dizia defender.
Os Bantustões Modernos
Hoje, 30 anos depois da queda do Apartheid a palavra— bantustões — é cirúrgica. O ordenamento espacial doApartheid não foi desmantelado, foi congelado. As townships continuam onde o regime as pôs: longe dos centros económicos, mal servidas por transportes, sem investimento privado, sem infraestruturas dignas, condição agravada pelas disfuncionalidades governativas.
O que mudou foi a camada de cima: surgiu uma classe média negra que saiu das townships — mas as townshipsficaram. E quando o Estado falha em educação, saúde, segurança e emprego, o vazio é preenchido por gangs, pela economia informal – aqui entram os imigrantes – por redes criminais e por demagogos que oferecem uma explicação simples: a culpa é dos estrangeiros.
É o mecanismo clássico de deslocamento da raiva — de cima (as elites que falharam) para ao lado (os imigrantes que competem pelos mesmos recursos escassos).
A Questão Criminal: Imigração ou Captura do Estado
No imbróglio actual este é o ponto mais importante e mais sistematicamente distorcido no debate público sul-africano.
O crime organizado na África do Sul não é um problema de imigrantes ilegais. É um problema de redes criminais com protecção política e institucional. O caso do Comissário-Geral da Polícia— Jack Selebi (2000-2009), suspenso com ligações provadas a figuras do crime organizado — o checo Radovan Krejčíř, condenado em 2014 a 35 anos de cadeiapor assassinato e fraude, é apenas a ponta visível.
Selebi foi condenado em 2010 por corrupção, tornando-se um dos casos mais emblemáticos da infiltração do crime organizado nas estruturas de segurança do Estado sul-africano pós-apartheid. Entretanto a estrutura criminal na RSA é mais profunda:
A xenofobia funciona então como cortina de fumo perfeita: criminaliza o imigrante visível e pobre, e protege as redes criminais invisíveis e bem conectadas.
O Banquete Pantagruélico e os de Fora
O ANC criou um sistema de distribuição de renda via Estado — tenders, contratos públicos, SOEs, BEE partnerships — que alimentou uma elite negra ligada ao partido. É o que Moeletsi Mbeki (irmão de Thabo, e um dos mais lúcidos críticos do sistema) chamou de “pay daytrap” (a armadilha do Dia do Pagamento): o ANC usa os recursos do Estado para comprar lealdades políticas, mas não cria riqueza — redistribui a riqueza existente em benefício de uma facção.
O resultado é uma classe política negra rica e uma maioria negra pobre que vota no ANC por falta de alternativa credível e mais ainda por uma lealdade histórica (que vai se desvanecendo a cada ciclo eleitoral e à medida que a população se distancia dos processos históricos que ratificam e legitimam a Aliança como força política), e por dependência dos grants sociais — que são reais e importantes, mas que são substitutos precários de políticas estruturais de emprego e desenvolvimento.
Os que ficam fora do banquete — a juventude sem emprego nas townships, os trabalhadores informais e os sem-terra — são exactamente os recrutados – ranks & files– dos movimentos xenófobos, dos gangs, e dos partidos populistas como o MK e o EFF.
Um Quadro Sistémico?
O que procuramos descrever é no fundo a síndrome do estado rentista pós-colonial:
A África do Sul é o caso mais visível porque foi o mais celebrado — a Nação Arco-Íris foi vendida ao mundo como modelo. A queda é proporcional à altura da expectativa criada.
E o que torna o momento actual particularmente perigoso é que não há um projecto alternativo credível — nem à esquerda nem à direita. O GNU de Ramaphosa com a DA é uma aliança de gestão da crise, não de transformação. E as forças que querem derrubá-lo oferecem populismo sem programa.
A Queda da Rainbow Nation
O projecto Arco-Íris de Mandela/Tutu foi sempre mais uma narrativa de reconciliação do que um programa de transformação estrutural. Era necessário — evitou um banho de sangue no pós-Apartheid — mas criou uma ilusão: a de que mudar o governo era suficiente para mudar a sociedade.
O que aconteceu na prática foi uma transferência de poder político sem transferência de poder económico. O ANC chegou ao governo e encontrou-se perante uma escolha impossível: redistribuir estruturalmente e enfrentar a fuga de capitais e o colapso imediato, ou negociar com o capital estabelecido e gerir a herança do Apartheid por dentro. Escolheu a segunda via — e o GEAR (Growth, Employment and Redistribution) de 1996, sob Mbeki, foi a capitulação formal ao Consenso de Washington.
O GEAR marcou a adopção formal de políticas macroeconómicas liberalizantes, privilegiando estabilidade fiscal, atracção de investimento e integração global da economia sul-africana, mas foi criticado por sectores da esquerda sul-africana por limitar reformas redistributivas profundas.
Trinta anos depois, o resultado está à vista: a África do Sul possui um dos mais elevados coeficientes de Gini do mundo, indicador que mede a desigualdade na distribuição de rendimento e riqueza. A desigualdade não diminuiu — em alguns indicadores aumentou. Thembisa, Gugulethu, Khayelitsha, Alexandra continuam a ser o Apartheid com outro nome – não de jure mas de facto, inscrito na geografia, no acesso à água, à electricidade, à educação e à segurança – são autênticos bantustões de pobreza a meio de uma riqueza monumental.
As eleições gerais de Maio de 2024 marcaram uma ruptura histórica: pela primeira vez desde 1994 o ANC perdeu a maioria absoluta nacional, sendo forçado a negociar um Government of National Unity (GNU) com partidos anteriormente classificados como adversários sistémicos, incluindo a Democratic Alliance. O novo arranjo governativo estabilizou momentaneamente o Estado, mas aprofundou tensões ideológicas dentro da própria Aliança.
A Rainbow Nation talvez não esteja a cair — porque talvez nunca tenha existido plenamente. O que parece ruir é a ilusão colectiva de que a reconciliação política teria sido suficiente para resolver as fracturas estruturais da África do Sul pós-apartheid.
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Referências:
Livros
Mbeki, Moeletsi. Architects of Poverty. Johannesburg: Picador Africa, 2009.
Johnson, RW. How Long Will South Africa Survive? Johannesburg: Jonathan Ball, 2015.
Friedman, Steven. Power in Action. Johannesburg: Jonathan Ball, 2015.
Terreblanche, Sampie. A History of Inequality in South Africa. Pietermaritzburg: UKZN Press, 2002.
Relatórios
Human Sciences Research Council (HSRC), Citizenship, Violence and Xenophobia in South Africa, 2008.
South African Human Rights Commission Reports on Xenophobia(2015; 2019).
Jornalismo
Daily Maverick
“Operation Dudula and the Politics of Anti-Immigrant Mobilisation in South Africa”
“State Capture: How Zuma’s Networks Hollowed Out the South African State”
“July 2021 Unrest: Anatomy of a Failed Insurrection”
Mail & Guardian
“The 2008 Xenophobic Attacks: South Africa’s Darkest Post-Apartheid Moment”
“Xenophobia Returns: Violence Against Foreign Nationals in Durban and Johannesburg” (2015)
“Foreign Shop Owners Under Siege Again” (2019)
Deustche Welle
“A Xenofobia como Arma Política”. https://www.youtube.com/watch?v=cHwufhxorkU (Maio 2026)
News24
“Explainer: The Phala Phala Scandal and the Pressure on Ramaphosa”
“Independent Panel Finds Ramaphosa May Have a Case to Answer” (2022)
“ANC Divided Over Ramaphosa’s Future After Phala Phala”
Reuters Africa
“South Africa’s ANC Loses Majority for First Time Since 1994” (Maio 2024)
“ANC and Democratic Alliance Reach GNU Agreement” (Junho2024)
“Zuma’s MK Party Reshapes South African Politics” (2024)
BBC Africa
“Why Xenophobic Violence Keeps Returning to South Africa”
“Who is Jacob Zuma’s MK Party?”
“South Africa’s Election Earthquake”
Al Jazeera Africa
“Inside South Africa’s Anti-Immigrant Anger”
“Can Ramaphosa Hold the ANC Together?”
“The Zulu Factor in South African Politics”
JoyNews
Xenophobic attacks escalate in South Africa amid claims against state officials | https://www.youtube.com/watch?v=ItcOfr-R7Xk(12-05-2026)





