O Banco de Moçambique antevê a subida de preços nos próximos meses, facto que irá encarecer ainda mais o custo de vida dos moçambicanos. Em causa, a instituição aponta a subida dos preços de combustíveis e o impacto da guerra no Médio Oriente.
“Os riscos e incertezas associados às projecções da inflação continuam a agravar-se”, alertou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, falando depois do terceiro Comité de Política Monetária (CPMO), em que a instituição manteve a taxa de juro de política monetária em 9,25%.
No curto e médio prazos, o Banco Central prevê uma aceleração da subida de preços, podendo atingir dois dígitos, dependendo da duração do conflito no Médio Oriente. A previsão da inflação reflecte, a nível nacional, os efeitos directos e indirectos do ajustamento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos, da intermitência no seu fornecimento e da inflação importada.
Além dos efeitos indirectos do aumento dos preços dos combustíveis, o Banco Central aponta o baixo ritmo de recuperação da capacidade produtiva, na sequência das inundações que assolaram o país no primeiro trimestre do ano e os efeitos do agravamento do risco fiscal, com destaque para os atrasos nos pagamentos devidos pelo Estado.
“A nível externo, destacam-se as incertezas quanto à duração e magnitude do impacto do conflito geopolítico no Médio Oriente sobre a cadeia logística e a oferta de bens, bem como sobre os preços dos produtos energéticos e alimentares”, explicou Zandamela.
Devido à guerra no Médio Oriente, o CPMO do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25 %. Adicionalmente, o CPMO decidiu aumentar o Coeficiente de Reservas Obrigatórias, para os passivos em moeda nacional, de 29,0% para 39,0%, visando absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, susceptível de gerar maior pressão inflacionária.
Entretanto, o CPMO decidiu manter o Coeficiente de Reservas Obrigatórias, para os passivos em moeda estrangeira, em 29,5%.
O CPMO do Banco de Moçambique alertou ainda que o endividamento público e os atrasados da dívida interna e externa mantêm-se elevados, afectando o normal funcionamento do mercado financeiro e a liquidez bancária.
“Persistem os atrasos no pagamento da dívida pública interna e externa, incluindo com as instituições financeiras nacionais e os credores multilaterais, com impactos, entre outros, na fraca apetência por títulos públicos, na rigidez das taxas de juro do mercado monetário interbancário e na avaliação do risco do país”, afirmou Zandamela.
O governador do Banco Central revelou que a dívida pública interna, excluindo os contractos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 493,1 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 18,5 mil milhões de Meticais em relação a Dezembro de 2025 e uma fonte de aumento da liquidez bancária.
A direcção da política monetária do Banco de Moçambique garante que continuará condicionada à avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções da inflação.
O CPMO volta a reunir-se em finais de Julho próximo





