A pressão sobre o endividamento público interno continua a agravar-se, com impacto no funcionamento normal do mercado de títulos do Estado, alertou esta segunda-feira (29), o Banco de Moçambique, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).
“A dívida interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 454,4 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 38,8 mil milhões em relação a Dezembro de 2024”, lê-se no comunicado do CPMO do Banco Central.
Naquele Comité, o Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 10,25 % para 9,75 %, devido à manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflectindo, em parte, a estabilidade da taxa de câmbio e a tendência favorável dos preços internacionais de mercadorias, não obstante a preval__ência, a nível doméstico, de elevados riscos e incertezas associados às projecções.
Em Agosto de 2025, a inflação anual fixou-se em 4,8 %, após 4,0 % em Julho. A inflação subjacente, que exclui frutas e vegetais e bens com preços administrados, aumentou ligeiramente. “A manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflecte, essencialmente, a postura da política monetária, a estabilidade do Metical e a tendência de redução dos preços internacionais de mercadorias”, refere o comunicado.
Durante o CPMO, o Banco de Moçambique concluiu que, para o médio prazo, excluindo o gás natural liquefeito (GNL), perspectiva-se um crescimento económico moderado, favorecida, em parte, pelas perspectivas de implementação de projectos em áreas estratégicas. No segundo trimestre de 2025, excluindo o GNL, o produto interno bruto (PIB) contraiu 1,7 %, após 4,9 % no trimestre anterior. Quando incluído o GNL, o PIB contraiu 0,9 %, após 3,9 % no trimestre anterior.
O Banco Central concluiu ainda que, no médio prazo, os riscos e incertezas associados às projecções da inflação mantêm-se elevados. “Destacam-se como prováveis factores do aumento da inflação, os impactos do agravamento da situação fiscal, num contexto de crescentes desafios para a mobilização de recursos financeiros para o Orçamento do Estado, dos choques climáticos e da lentidão na reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços”, explica o comunicado.
O CPMO assegura que continuará com o processo de normalização da taxa MIMO no médio prazo, porém em magnitudes moderadas. Entretanto, o comunicado assinado pelo Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, ressalva que, o ritmo e a magnitude da redução da taxa MIMO continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções do médio prazo.





