O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reconheceu, este fim-de-semana, que a actual vaga de ataques xenófobos na vizinha África do Sul atingiu proporções superiores às inicialmente previstas, garantindo, porém, que o Governo continua a mobilizar recursos para apoiar e repatriar os cidadãos afectados pela violência.
Falando à imprensa sobre a situação, o Chefe de Estado condenou os actos de xenofobia e alertou para os seus impactos económicos e sociais, tanto na África do Sul como na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). “Nós condenamos este acto de xenofobia porque é uma situação que desestabiliza não só a economia da região da SADC, mas também a própria economia da África do Sul”, afirmou.
Daniel Chapo afirmou que, numa fase inicial, uma delegação moçambicana deslocou-se à África do Sul para “acompanhar” a evolução dos acontecimentos e avaliar a resposta das autoridades daquele país. Contudo, admitiu que a dimensão da crise superou as expectativas. “Achámos que a situação atingiu níveis que não prevíamos”, declarou.
O Presidente moçambicano lamentou ainda a morte de cidadãos nacionais durante os ataques, sobretudo na região do Cabo, e revelou que vários compatriotas foram acolhidos em centros de assistência temporária.
Face ao agravamento da situação, o Governo acionou mecanismos de emergência para garantir a evacuação dos moçambicanos afectados. A operação inclui transporte terrestre das zonas de risco até à fronteira de Ressano Garcia, onde equipas multi-sectoriais prestam apoio aos repatriados.
Na fronteira estão destacados técnicos das Alfândegas, dos Serviços de Migração, do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação e de outras instituições do Estado.
Segundo Daniel Chapo, as equipas mobilizadas mantêm um elevado nível de prontidão, semelhante ao adoptado durante situações de emergência causadas por cheias, inundações e ciclones. “Este é o nível de preocupação que o Governo da República de Moçambique tem com os seus cidadãos”, sublinhou.
A maioria dos moçambicanos que regressam ao país é proveniente das províncias de Gaza, Maputo e Inhambane. O Executivo garante o transporte dos repatriados até às respectivas províncias de origem, incluindo cidadãos oriundos de Manica.
O Chefe de Estado reiterou que o Governo continuará a acompanhar de perto a evolução da situação e manifestou solidariedade para com os moçambicanos afectados pela violência. “Como Estado e como Governo da República de Moçambique, vamos continuar a trabalhar, porque a responsabilidade de cuidar dos moçambicanos dentro e fora do país é nossa”, concluiu.





