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20 de June, 2025

Frelimo, IGEPE e INSS…algumas das entidades que “mamam” com investimento na CDM

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A empresa Cervejas de Moçambique (CDM) anunciou há dias que vai aumentar em 150%, os dividendos a serem distribuídos pelos cerca de 3.000 dos seus accionistas, entre corporativos e particulares. “Carta” pesquisou e descobriu quem lucra, e neste 2025, vai beneficiar-se ainda mais por investir naquela empresa detida maioritariamente pela multinacional belgo-brasileira, AB InBev, criada em 2004, com a fusão entre a belga Interbrew e a brasileira Ambev.

Da estrutura accionista da CDM consta a SPI – Gestão e Investimentos, S.A.R.L, uma holding do partido Frelimo, com 3.67% de participação, correspondente a 12 milhões de Meticais no capital social da cervejeira. Sediada em Maputo, a SPI é uma sociedade anónima de responsabilidade limitada, com capital social de 1.6 milhão de USD, criada por escritura de 30 de Dezembro de 1992, publicada no Boletim da República n.º 25, Série III, de 25 de Junho de 1993.

Com mais de 30 anos de existência, a holding do partido no poder investe em áreas como telecomunicações, hotelaria e turismo, energia, jogos de azar e fortuna, imobiliário, minas, saúde, indústria e terminais de mercadorias. Investe em mais de 20 participações financeiras, com destaque, além da CDM, da Farma Naturais S.A – Produtos de Saúde, Dugongo Cimentos, Touchcom, Tubex – Sistemas de Escape, Polana Casino, Kudumba e Movitel.

O Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE), gerido pelo Governo da Frelimo, é também um dos accionistas da CDM, com uma comparticipação de 1.37%, equivalente a 04 milhões de Meticais no capital social. Faz parte da estrutura accionista da CDM desde a criação da empresa em 1995.

Na estrutura accionista da CDM está igualmente o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), uma entidade pública, dotada de personalidade jurídica, de autonomia administrativa e financeira e de património próprio, criado ao abrigo do Decreto nº 17/88, de 27 de Dezembro. Gere a Segurança Social Obrigatória, aprovada pelo Decreto nº 53/2007, de 3 de Dezembro no quadro da introdução da Lei de Protecção Social (Lei nº 4/2007, de 7 de Fevereiro).

A gestão do INSS é confiada a um Conselho de Administração, que obedece à constituição tripartida, através da representação em igual número do Estado, Entidades Empregadoras e Sindicatos. Na estrutura accionista da CDM tem uma comparticipação de 2.60%, equivalente a 08 milhões de Meticais.

Já os “outros accionistas”, com destaque para singulares, têm uma cota de 8.44% na estrutura accionista da CDM, correspondente a 27 milhões de Meticais.  Fazem parte da CDM após comprarem acções da empresa, através da Bolsa de Valores de Moçambique. O accionista maioritário da CDM é AbinBev Africa BV parte da empresa desde 2016. Tem 83.01% de cota na estrutura accionista, o equivalente a 263 milhões de Meticais no capital social.

A Barca Global Market Plc é o accionista minoritário da CDM com 0.91% correspondente a 03 milhões de Meticais no capital social da cervejeira. O capital social total da CDM é de 317 milhões de Meticais. A CDM registou um expressivo crescimento de 196% no lucro líquido, que passou de 577 milhões de Meticais em 2023 para 1.706 mil milhões em 2024. O desempenho foi impulsionado pelo aumento das exportações para a África do Sul, optimização das operações e redução dos custos financeiros.

Foi com base nesse desempenho que a empresa anunciou semana finda que vai aumentar em 150% os dividendos a serem distribuídos pelos cerca de 3.000 accionistas, alguns dos quais acima mencionados. Em concreto, a empresa pretende pagar 8,15 Meticais por acção, em duas tranches iguais, a primeira em Junho e a segunda em Novembro de 2025.

Até 31 de Dezembro de 2024, o Conselho de Administração da CDM, presidido por Tomaz Salomão, economista, político e membro sénior da Frelimo, era composto pelos Administradores, Galo Rivera, Hugo Gomes, Idelson Salomão, Eugénia David e Mara Chiu. O Conselho era também integrado pelo político e membro sénior da Frelimo, José Pacheco (recentemente indigitado para o cargo de Director-Geral do Serviço de Informação e Segurança do Estado), como Administrador não executivo.

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