A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) apresentou alegadas provas da existência de medicamentos fora do prazo de validade em unidades sanitárias do país, acusando o Governo de ocultar a crise que afecta o sector.
A denúncia surge em resposta às declarações do porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, proferidas durante a última sessão do Conselho de Ministros.
Em conferência de imprensa na segunda-feira (01), a organização denunciou ainda a escassez de medicamentos, materiais médico-cirúrgicos e outros insumos hospitalares, desafiando as autoridades a permitirem uma inspecção pública aos armazéns do sector.
Na ocasião, o porta-voz da APSUSM, Anselmo Muchave, afirmou que a organização dispõe de fotografias, vídeos e testemunhos que comprovam a existência de medicamentos fora do prazo de validade em hospitais e centros de saúde, contrariando recentes declarações governamentais que colocam em causa as denúncias apresentadas pelos profissionais do sector.
Segundo a associação, um dos casos reportados ocorreu na província de Gaza, onde uma utente terá recebido, em Abril deste ano, medicamentos cuja validade expirou em Dezembro de 2025.
Para a APSUSM, o caso revela falhas graves nos mecanismos de gestão, armazenamento e fiscalização dos medicamentos distribuídos pelo Serviço Nacional da Saúde (SNS).
A organização questiona ainda quantos cidadãos poderão estar a consumir medicamentos vencidos sem o saber, uma vez que muitos fármacos são entregues aos pacientes em embalagens que não permitem a verificação imediata da respectiva data de validade.
Além da alegada distribuição de medicamentos expirados, a APSUSM denuncia rupturas frequentes de “stock” nas unidades sanitárias, situação que, segundo a associação, compromete o atendimento aos pacientes e coloca vidas em risco.
Os profissionais de saúde criticaram igualmente o anúncio governamental relativo à aquisição de medicamentos com previsão de entrega para os próximos 18 meses, argumentando que a actual crise exige respostas imediatas para evitar o agravamento das dificuldades enfrentadas pelos doentes.
“A falta de medicamentos mata. Não se trata apenas de um problema administrativo, mas de uma questão de saúde pública e de sobrevivência dos cidadãos”, defenderam os representantes da associação.
A APSUSM desafiou ainda o Governo a autorizar uma visita conjunta com jornalistas aos armazéns do Centro de Abastecimento de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM), sustentando que a transparência constitui a melhor forma de esclarecer as denúncias tornadas públicas.
A organização afirma que as negociações com o executivo se encontram praticamente paralisadas há vários meses e acusa as autoridades de não apresentarem um plano concreto para resolver a escassez de medicamentos e melhorar as condições de funcionamento das unidades sanitárias.
Entre as principais reivindicações da associação, figuram a reposição urgente de medicamentos e consumíveis médicos, a melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde e a responsabilização de gestores considerados ineficazes na condução do sector.
A APSUSM alerta ainda para a crescente dependência de medicamentos doados e para as dificuldades enfrentadas por pacientes que, frequentemente, são obrigados a adquirir fármacos em farmácias privadas, devido à indisponibilidade dos mesmos nos hospitais públicos.
Até ao momento, o Ministério da Saúde mantém a posição de que está a desenvolver esforços para normalizar o abastecimento de medicamentos e garantir o funcionamento regular das unidades sanitárias em todo o país.





