O Grupo Standard Bank entende que a xenofobia que fere, mata, vandaliza e destrói infra-estruturas sociais e económicas na África do Sul, deixando milhares de pessoas de luto e desempregadas, não irá afectar a economia e relações diplomáticas daquele país. As declarações foram feitas na Cidade do Cabo, sul daquele país, pelo Economista-chefe do Grupo Standard Bank, Goolam Ballim, à margem da terceira Conferência Africa Unlocked 2026.
“Não creio que isso vá impactar materialmente a economia da África do Sul. Penso que, com o tempo, não prejudicará as relações da África do Sul com o resto do continente. Estas relações são de longa data. Acredito que a diplomacia bilateral ajudará a fortalecer a posição da África do Sul através da presidência e a atenuar estas preocupações de que a África do Sul se esteja a tornar estruturalmente xenófoba”, disse Ballim, respondendo à pergunta do jornalista da “Carta de Moçambique”.
Entretanto, o Economista-chefe do Grupo Standard Bank mostrou-se contra a xenofobia por ser algo indesejável, embora entenda que seja uma onda visível em todos os cantos do mundo, como América e Europa. “A xenofobia, ou, dito de outra forma, a construção de muros, tornou-se um fenómeno global. Estamos a vê-lo nos mercados desde os Estados Unidos, e uso a expressão ‘construir um muro’ porque sabemos que esta linguagem tem sido usada para sinalizar tentativas de divisão, por exemplo, dos Estados Unidos e do México. Estamos a assistir a tendências de direita muito significativas na Europa, que tentam também fomentar divisões nas sociedades. E estamos a vê-lo em toda a África e, mais recentemente, na África do Sul. Penso que, de um modo geral, isto é indesejável”, disse Ballim.
O Economista-Chefe do Standard Bank explicou que a xenofobia é indesejável “na medida em que, nos últimos 30 anos, a mobilidade — de pessoas, de capitais, bens e serviços — tem sido fundamental para o aumento do bem-estar”. Todavia, para reverter o problema e garantir maior mobilidade, o entrevistado disse que o governo sul-africano deve orientar a sociedade para uma imigração legal. “Precisamos de liderança a nível presidencial, governamental e ministerial para orientar as sociedades para uma imigração legal e receptiva. Acredito que isto é combustível para o crescimento”, afirmou Ballim.
O Economista-chefe do Grupo Standard Bank disse que tem visto certo nível de liderança, tanto quantitativa como qualitativa, por parte do governo sul-africano, especificamente, do Presidente Cyril Ramaphosa, mas acusou que há forças internas que contrariam os esforços do Chefe de Estado daquele país. “O nosso presidente, creio, assumiu a liderança na tentativa de acalmar a situação. Mas creio que haverá sempre forças provocadoras. Estas forças provocadoras estão por todo o lado, por vezes provenientes da sociedade em geral, e também, por vezes, dentro das fileiras ministeriais. Mas é algo contra o qual nos devemos opor”, concluiu Ballim.
A conferência deste ano, que teve lugar nos dias 09 e 10 de Julho corrente, decorreu sob o lema “Construído na África: Ampliando o Crescimento Continental” e juntou mais de 140 líderes empresariais, formuladores de políticas, investidores e empreendedores de toda a África e dos principais mercados globais para, explorar as acções práticas necessárias para acelerar o comércio, investimento e crescimento económico sustentável em todo o continente.

