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16 de June, 2026

África do Sul estuda possibilidade de comprar a Mozal

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A Corporação de Desenvolvimento Industrial (IDC), uma entidade estatal sul-africana, lançou no último dia 10 de Junho um concurso público com duração de um mês, para contratar um consultor visando uma avaliação da aquisição de 63,7% das acções do accionista maioritário da Mozal SA, a australiana South32, a possibilidade de gerir a fundição de alumínio com parceiros interessados e/ou vender a sua participação de 32,48%  naquela sociedade.

“A IDC exige uma avaliação independente e abrangente, bem como aconselhamento de nível de investimento, para determinar se a Mozal pode retomar operações sustentáveis e se é possível garantir uma solução de fornecimento de electricidade acessível e sustentável”, lê-se no concurso, consultado por “Carta”.

De acordo com a fonte, o objectivo do mandato do consultor é auxiliar a IDC a avaliar os méritos comerciais, os riscos e os termos da transacção para a aquisição da Mozal e a retomada das operações, bem como avaliar os requisitos técnicos, operacionais, comerciais, financeiros e de conformidade ambiental necessários para adquirir e reiniciar a Mozal.

A IDC pretende igualmente identificar e avaliar opções alternativas de fornecimento de electricidade capazes de suportar uma estrutura de custos sustentável e competitiva a longo prazo; propor uma estrutura de gestão e um modelo operacional adequados; estruturar um plano de transacção com mitigação de riscos para a aquisição planeada da Mozal do actual accionista maioritário.

Aquela entidade do Governo sul-africano pretende ainda identificar potenciais parceiros estratégicos de capital para colaboração na aquisição e operação de longo prazo da Mozal, bem como desenvolver um plano de negócios comercialmente viável e financeiramente sustentável para a revitalização das operações da Mozal.

De acordo com o concurso, a empresa seleccionada deverá analisar as condições técnicas das instalações da fundição após os cuidados e a manutenção; analisar o histórico de eficiência da produção, as práticas de manutenção e o histórico de tempo de inactividade; avaliar os requisitos operacionais de reinício, cronogramas, custos e planos de retomada da produção.

A empresa a ser contratada deverá ainda descrever as opções de fornecimento de matérias-primas, incluindo potenciais fornecedores e condições de fornecimento relacionadas com o mercado para matérias-primas críticas, como alumina, coque e piche; avaliar as capacidades operacionais necessárias para operar uma fundição dessa natureza, incluindo pessoal, sistemas e contratos com terceiros e analisar a robustez do Contrato de Prestação de Serviços de Gestão proposto.

Os trabalhos da empresa adjudicada serão realizados num cronograma acelerado, reflectindo a urgência dos desafios operacionais e de fornecimento de electricidade da Mozal, com marcos a serem acordados no início. Espera-se que o trabalho e os resultados sejam concluídos em aproximadamente oito semanas, após a nomeação, com os Relatórios Interinos de Riscos Críticos e os Relatórios para Submissão ao Comité de Investimentos a serem entregues quatro semanas após a nomeação.

A intenção da IDC vem três meses depois de a Mozal ter sido colocada em regime de manutenção e conservação, devido à incapacidade de garantir um fornecimento de electricidade acessível e sustentável.

A South32 estava disposta a pagar 51 dólares americanos por Megawatt-hora (MWh), enquanto a proposta da sul-africana Eskom era próxima de 100 dólares americanos por MWh.

A Mozal precisa de 950 MWh para operar 24 horas por dia, fornecidos pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), através da Eskom.

Sem acordo, perto de cinco mil trabalhadores directos e indirectos da Mozal (que corresponde a cerca de 3,9% do Produto Interno Bruto de Moçambique), foram ao desemprego.

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