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19 de May, 2026

Eni equaciona terceira plataforma flutuante de gás natural para Bacia do Rovuma

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A petrolífera italiana Eni equaciona mobilizar financiamento para investir numa terceira plataforma flutuante de extração e liquefação de gás natural (FLNG) na Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.

A informação foi avançada, há dias, pela presidente do Coral FLNG e directora-geral da Eni Rovuma Basin, Marica Calabrese, numa conferência sobre petróleo e gás em Maputo.

Segundo Calabrese, “o próximo capítulo para a história de Moçambique [é] obviamente uma terceira FLNG. Não terá dois apenas, terá três”. Após o anúncio, “Carta” contactou a empresa para de forma detalhada falar do projecto. Sem muitos detalhes, alegadamente porque ainda é uma ideia, a Eni reiterou que está a equacionar uma terceira plataforma de extração e liquefação de GNL, tendo em conta para as enormes reservas existentes na Bacia do Rovuma.

“A Bacia do Rovuma possui reservas significativas de gás o que permite não só a implementação dos projectos em curso, mas também a possibilidade de se implementar novos desenvolvimentos. Neste contexto, a Eni está neste momento a avaliar a possibilidade de avançar com um terceiro projecto com base na tecnologia FLNG, cujo sucesso ficou comprovado com o projecto Coral Sul FLNG”, respondeu a empresa ao jornal.

Antes de falar do futuro, a presidente do Coral FLNG e directora-geral da Eni Rovuma Basin falou, durante a conferêcnia, dos projectos em curso, com destaque para o Coral Sul FLNG, o primeiro projceto que pôs o gás da Bacia de Rovuma em produção.

“Os parceiros da Área 4, liderados pela ENI, estavam convencidos que esse projecto era fundamental para o país. E isso aconteceu. A produção começou em 2022 e até a dada, já forma produzidas 11 milhões de toneladas de GNL. Mais de 150 carregamentos de GNL e 21 de condensados entregues. Temos uma estabilidade de produção que não existe no mundo. O Coral Sul é a única plataforma flutuante de liquefação de gás em águas ultraprofundas do mundo”, relatou Calabrese.

Segundo a gestora, desde 2022, o Coral Sul FLNG já canalizou mais de 290 milhões de dólares americanos em receitas para o Estado. Segundo Calabrese, o próximo capítulo da história da LNG vai ser o Coral Norte.

“O Coral Norte já está em construção. Já tomamos a decisão final de investimento. Já fizemos o lançamento do casco. O princípio da produção vai ser em 2028. O que nós fizemos de verdade foi uma cópia melhorada, porque vamos aplicar todas as lições aprendidas na primeira. Claramente o Coral Sul é um projeto excelente, mas tinha algumas coisas que poderiam ser feitas melhor. E estamos a fazer agora e o Coral Norte vai ser melhor do que o Coral Sul”, assegurou a fonte.

Segundo Calabrese, a capacidade de produção de GNL é o dobro do Coral Sul (7 MTPA), tornando Moçambique o terceiro maior exportador de GNL da África. Prevê receitas ao Estado de 23 mil milhões de dólares americanos. Prevê empregar 1.400 moçambicanos, directa ou indirectamente.

Ainda no que toca ao conteúdo local, a presidente do Coral FLNG e directora-geral da Eni Rovuma Basin ilustrou ainda que o Coral Norte prevê contractos no valor de três mil milhões de dólares americanos a serem atribuídos a fornecedores nacionais, tanto para serviços especializados quanto não especializados e 60 milhões de dólares em projectos de sustentabilidade.

Todavia, para que as empresas moçambicanas possam efectivamente fazer negócio com a Eni e outras multinacionais, Calabrese deixou, durante a conferência, um apelo: “O vosso objetivo não tem que ser trabalhar com a Eni, com a Total, com a Exxon. O vosso objectivo é ser competitivo. Se forem competitivos, vão trabalhar não só com a Eni, a Total, a Exxon, mas também com outras empresas, também fora do país”, disse Calabrese, tendo sublinhado que a empresa que gere tem promovido seminários com o sector privado e universidades para assegurar que o mercado esteja pronto para trabalhar nesse mercado internacional.

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