Violência pós-eleitoral: Venâncio Mondlane vai a julgamento por cinco alegados crimes
O líder da Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), Venâncio Mondlane, será julgado no âmbito do processo instaurado na sequência da violência que seguiu às eleições gerais de 2024, sendo acusado de cometimento de cinco crimes, disse hoje (25) o político.
A Mondlane são imputados os crimes de “apologia pública ao crime, incitamento à desobediência colectiva , instigação pública ao crime, instigação ao terrorismo e incitação ao terrorismo”, avançou, durante uma transmissão em declaração em directo na sua página de Facebook.
O líder do ANAMOLA será julgado pelo Tribunal Supremo (TS) pelo foro especial de que goza por ser membro do Conselho de Estado.
Venâncio Mondlane tem dez dias para se pronunciar sobre a notificação que recebeu do TS, órgão que ainda não marcou a data de julgamento do político.
“Eu acho que o País deve passar por este processo, por esta etapa, porque o que vai testemunhar por mim são os factos. Precisamos de atravessar a prova de fogo”, disse Mondlane.
Afirmou que o julgamento será histórico, porque será a primeira vez que um ex-candidato presidencial é levado a tribunal, num processo relacionado com actividade política.
“O que foi violento foi a atitude da polícia, porque todas as organizações credíveis e sérias como a Ordem dos Advogados de Moçambique [OAM], a Amnistia Internacional e a Plataforma Decide nunca disseram que as manifestações foram violentas, porque quem agiu violentamente foram os policiais”, declarou Mondlane.
Venâncio Mondlane foi o segundo candidato presidencial mais votado nas eleições presidenciais de 2024, ganhas por Daniel Chapo, candidato da Frelimo, partido no poder.
Mondlane contestou os resultados eleitorais, desencadeando-se uma onda de manifestações violentas que resultaram em dezenas de mortos, pilhagens e destruição de propriedades públicas e privadas, acordo com vários relatórios.





