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25 de August, 2026

Frelimo, Chimoio e a economia de pantanas

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Depois de uma Conferência de Quadros da Frelimo em que a tónica central foi a remoralização do partido, regressa novamente ao debate a questão do papel transformador do discurso político, designadamente a questão da praxis, ou seja, o imperativo de que o discurso não fique apenas no campo das ideias, mas sirva como motor para a mudança social e económica.

Em Chimoio, e por falar em economia, a Frelimo portou-se como uma força de bloqueio contra a recuperação desejada, contra a dinâmica dos negócios do Corredor da Beira, em contra mão até da narrativa presidencial. E isto não é por culpa do seu Presidente. É por distração ou arrogância da sua “entourage”.

O coro da Frelimo que juntou-se em Chimoio a pretexto de debate, crítica e auto-crítica, teve como palco uma tenda instalada a 300 metros da EN6, a estrada que escoa toda a carga importada pelo Hinterland. Por dia, atravessam por ali entre 2500 a 3000 camiões com carga contentorizada e camiões cisterna para o Zimbabwe, Malawi, Zâmbia, RDC.

Na sexta-feira, dia da inauguração do coro, esse tráfego que alimenta parte da economia regional esteve interrompido. No domingo, no dia do seu encerramento, o tráfego esteve interrompido parcialmente.

Imagina os dissabores e os prejuizos aos operadores, o Porto da Beira, os agentes transitários, os transportadores, importadores e exportadores, enfim toda a cadeia de valor do sector logístico centrado no Corredor da Beira. Já não bastasse o drama da acessibilidade ao Porto da Beira ante uma promessa de melhoria ainda não cumprida.

Em plena crise geral e com o Presidente Chapo a incentivar o incremento da actividade económica centrada nos corredores, este drama devia ter sido evitado. É, pois, preciso que se retirem ilações e se indentifiquem os responsáveis por esse bloqueio. Se a Frelimo quer introduzir uma cultura de tolerância zero no que tanje à probidade, então precisa de começar por investigar a razão desse bloqueio, verificando se a montagem do evento foi totalmente limpa, e nomeadamente por que é que a tenda não foi colocada em lugar que evitasse o bloqueio da economia.

PS:
Discurso e acção….o manifesto de Chimoio é uma cartilha de boas intenções. A Frelimo coloca finalmente dedo na ferida, e assume nas entrelinhas seu papel (e a dos seus dirigentes) no descalabro ético e moral em que o país foi mergulhado.

O Manifesto de Chimoio renova a vontade política do regime chapista – e apenas isso – para o controle da corrupção, sinalizando ao poder judicial para que vá até as últimas consequências na responsabilização de quem quer que seja. Isto significa que o Ministério Público deve redobrar seu trabalho…mas fazendo-o de forma assertiva e não selectiva como parece ter sido a divulgação cirúrgica das acusações dos casos INSS e da LAM e a omissão dos arguidos (ainda não detidos) relacionados com os rombos no Fundo de Promoção Desportiva. Vamos a isso?
(Carta)

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