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23 de August, 2026

Frelimo: mudança de paradigma ou o mais do mesmo?

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A Frelimo avançou para uma Reunião de Quadros sob o prisma da mudança do status quo” nyussista, em queimperava a vassalagem ao líder, um culto de personalidade digno de Stalin, o anti-debate, a ausência de crítica e da anti-crítica que o marcou os períodos áureos do samorismo. O paradigma do pensamento único dominou a fase final do Guebuzismo e foi sedimentado no Nyussismo, expandindo raízes nos estertores desse regime.

Chapo surgiu com a promessa de reactivar o debate crítico no seio da formação. Esta 11° Conferência de Quadros em Chimoio foi pensada como o momento fulcral dessa reactivação do debate interno. Mas por via do formato fechado do evento, não dá para perceber se o mesmo decorre sob esse pano de fundo. A Frelimo fechou o “debate” da opinião pública, atrasando sua reconciliação com as partes desavindas da sociedade.

O único momento de quase catarse foi a intervenção de Domingos Tivane, um antigo Director Nacional das Alfândegas, onde ele fez seu pé de meia e montou a Universidade Unitiwa. Tivane apelou à Comissão Política a denunciar publicamente as razões por detrás da exoneração de determinado dirigente, dando os nomes aos bois, e um pontapé na bunda dos recorrentes eufemismos. E desafiou os velhos membros da Comissão Política (como Chipande, Hama Thai) a cederem lugar aos mais novos. Só um homem como Tivane, realizado como está na vida, podia lançar tal repto.

Mas a questão que se coloca é: quem são esses mais novos? Sairão dessa moldura dos selfis e do show offque domina a Conferência nas redes sociais? Que mais novos? Quem desses fez uma intervenção brilhante, com propostas inovadoras que melhorem o conteúdo ideológico do Partido e os desafios da transformação da nossa realidade de pobreza extrema? Quem, para lá das túnicas e saiotes de capulana, disse qualquer coisa relevante, alheio ao exibicionismo barato que arrebatou os eventos do partidão?

Até Régio Conrado não conseguiu mostrar um dedo de coerência quando disse que trajava aquela indumentária por causa do “contexto”. Contexto? Qual é o problema de ele ser um intelectual orgânico da Frelimo? E porquê ele não se assume como tal…? A Frelimo já teve intelectuais orgânicos como Aquino de Bragança, Óscar Monteiro, Sérgio Viera e eles assumiram esse papel, que não é perverso não.

Mas onde estão afinal os jovens quadros da Frelimo?

Eu espero que este quadro insosso da Conferência seja hoje revertido. Até ontem o conclave decorria sob o pior cenário nyussista, sem aura nem glória. (Carta)

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