O Ministro interino da Polícia sul-africana, Firoz Cachalia, afirmou que a operação especial contra as tentativas de desestabilizar o país na próxima terça-feira (30), vai custar mais de 600 milhões de rands.
Cachalia emitiu um alerta firme àqueles que cogitam actos de ilegalidade durante os protestos anti-imigração em 30 de Junho, afirmando que “a violência não será tolerada e que ninguém está autorizado a participar de protestos armado“.
“A nossa mensagem é clara: todos têm o direito constitucional de protestar pacificamente e dentro dos limites da lei. No entanto, criminalidade, intimidação, violência, destruição de propriedade e qualquer tentativa de prejudicar a segurança pública não serão toleradas”, disse Cachalia.
“Temos hesitado por muito tempo em falar claramente sobre este assunto. Não há razão para que alguém venha protestar com qualquer tipo de instrumento que possa ser usado como arma. Hoje, estamos a enviar uma mensagem clara de que as pessoas devem participar de protestos desarmadas”, alertou.
Cachalia, juntamente com a Ministra da Defesa, Angie Motshekga, e a comissária nacional interina do Serviço de Polícia Sul-Africano (SAPS, na sigla em inglês), tenente-general Puleng Dimpane, falavam à imprensa sobre os preparativos para o prazo de 30 de junho, estabelecido por grupos anti-imigração.
Os relatos recorrentes de violência, racismo e xenofobia contra migrantes surgem numa altura em que os protestos anti-imigração, liderados ou inspirados pelo Movimento March and March, continuam a ganhar força. Os organizadores da campanha em curso contra imigrantes estabeleceram um “prazo” de 30 de Junho para que estrangeiros sem documentos deixem a África do Sul.
Cachalia afirmou que a polícia sul-africana intensificou o seu estado de prontidão operacional em todas as nove províncias, com planos em vigor para proteger comunidades, infra–estruturas críticas e espaços públicos. KwaZulu-Natal, Gauteng, Cabo Oriental e Cabo Ocidental foram sinalizados como potenciais focos de contágio. A mobilização policial inclui ainda o cancelamento de folgas dos agentes da polícia em função das marchas de 30 de Junho.
Segundo o dirigente, a operação especial custara aos contribuintes mais de 600 milhões de rands.
“É esse o preço que se paga quando há tentativas de desestabilizar o país”, disse.
Acrescentou que aqueles que desejam protestar na próxima semana “devem indicar com antecedência quais são os seus planos e transmitir uma mensagem clara aos seus apoiantes para que não compareçam armados.
“Apelamos a todos os sul-africanos para que rejeitem a violência, defendam o Estado de Direito, preservem a dignidade de todas as pessoas que vivem no nosso país e colaborem com as forças da lei na manutenção da paz e da estabilidade”, declarou.
“Para aqueles que estejam a ponderar actos de ilegalidade, a nossa mensagem é igualmente clara: todo o rigor da lei será utilizado para lidar de forma decisiva com qualquer pessoa que procure minar a segurança, a ordem constitucional e a ordem da nossa República”, enfatizou.
Os líderes precisam assumir a responsabilidade
Cachalia apelou aos líderes locais e nacionais para que se manifestem claramente em apoio aos esforços do SAPS.
“Acho que neste momento, além das responsabilidades das forças da lei, é muito importante que os líderes do nosso povo no terreno, aqueles que desempenham papéis importantes, se manifestem e façam uma declaração clara em apoio aos esforços da Polícia Sul-Africano para manter a segurança e a protecção do nosso povo”, afirmou.
As suas declarações surgem após a ministra da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Mmamoloko Kubayi, e a vice-ministra das Relações Internacionais e Cooperação, Thandi Moraka, se reunirem com o primeiro-ministro do Reino Zulu, Inkosi Thulasizwe Buthelezi, para buscar o apoio da liderança tradicional para enfrentar as preocupações relacionadas à imigração ilegal antes do dia 30 de junho.
Cachalia afirmou que a Polícia poderá solicitar o apoio da Força de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF na sigla em inglês), caso o ambiente operacional exija reforço adicional para complementar os esforços policiais existentes.
Grupos anti-imigração sugerem que os 600 milhões de rands não devem ser usados para policiamento
Reagindo ao anúncio do Ministro interino da Polícia, os grupos anti-imigraçãoopõem–se a decisão do governo de canalizar 600 milhões de rands para garantir a segurança das manifestações, sugerindo que o valor deveria ser usado em operações de busca e captura domiciliar de estrangeiros sem documentos.
Em declarações à imprensa, a líder do Movimento March and March, Jacinta Ngobese-Zuma, afirmou que os recursos destinados ao policiamento das manifestações deveriam ser usados para identificar e prender estrangeiros ilegais.
“Quando a marcha terminar, aproveitem o dia para ir de casa em casa e expulsar os imigrantes ilegais das nossas comunidades porque não nos sentimos seguros”.
“Este é um apelo que todos os sul-africanos estão a fazer sobre a melhor maneira de usar os 600 milhões de rands no dia 30. Removam os imigrantes ilegais das suas casas. Verifiquem os documentos deles”, disse Jacinta Ngobese-Zuma.
Criticou a forma como o governo lidou com a imigração ilegal e pediu medidas de fiscalização mais rigorosas prometendo que as marchas de 30 de Junho seriam pacíficas em todo o pais.





