Operadores de transporte semi-colectivo de passageiros afirmam ainda não ter recebido as compensações prometidas pelo Governo para mitigar o impacto do aumento do preço do combustível, apesar de garantirem que cumpriram os requisitos exigidos para o processo de registo.
Edson Nhantumbo, proprietário de duas viaturas que operam na rota Zimpeto-Cidade da Matola, diz não haver clareza nos critérios utilizados para atribuição dos apoios. O operador afirma que muitos operadores, que se registaram recentemente para se beneficiar das compensações prometidas pelo Governo continuam sem receber qualquer valor.
“Disseram-nos que numa primeira fase seriam pagos os que já constavam da base de dados anterior. Mas até agora há muitos operadores activos que continuam sem receber”, conta, denunciando ainda suspeitas de haver indivíduos (outrora operadores) que se estejam a beneficiar do dinheiro sem que estejam em actividade.
Caso idêntico é relatado por Nelson Matola, motorista da rota Praça dos Combatentes-Baixa e proprietário de uma frota de transportes semi-colectivos. A fonte garante ter actualizado a documentação e ter cumprido todos os requisitos, mas continua sem qualquer retorno das entidades responsáveis. “Até agora ninguém entrou em contacto comigo. A última informação que tive foi no mês passado e desde então não houve qualquer comunicação”, disse.
Já Carlos Mussiquete, transportador da rota Xipamanine-Museu, afirma que, desde o início do processo de pagamento dos subsídios, apenas tomou conhecimento do assunto através da televisão e das redes sociais, sem perceber quais foram os critérios utilizados para seleccionar os operadores que já beneficiaram dos apoios.
“Não conheço ninguém na minha rota que já tenha recebido esse valor. Talvez alguns não comentem, porque quem recebe dinheiro dificilmente sai a divulgar. Mas o que mais me entristece é saber que há pessoas que beneficiaram da compensação e que já não são operadores de chapa há muitos anos”, lamentou Mussiquete.
A percepção de exclusão no pagamento das compensações prometidas pelo Governo tem alimentado descontentamento entre os operadores, sobretudo após a divulgação pública de informações indicando que os pagamentos já estariam em curso.
Perante críticas dos operadores, representantes do sector defendem que o processo segue critérios previamente definidos. Amâncio Gume, presidente da UNICOTRAMO, explicou que o memorando entre o Governo e os representantes dos transportadores previa que os primeiros desembolsos fossem feitos de acordo com a anterior base de dados.
Segundo explicou, os novos operadores estão ainda numa fase de recolha, organização e validação documental. “O que está a acontecer não é exclusão. É um processo de recolha e tratamento de informação. Os antigos operadores constantes na base anterior já foram pagos e os novos ingressos estão em avaliação”, afirmou, assegurando que estão em curso acções de fiscalização para confirmar quais veículos continuam, de facto, em operação, de forma a tornar o sistema mais fiável.
Entretanto, o Secretário de Estado dos Transportes, Chinguane Mabote, confirma que o primeiro desembolso foi concluído dentro do prazo definido e que os pagamentos foram processados com base nas listas submetidas pela Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO). Os dados do Governo indicam que só na Área Metropolitana de Maputo foram pagos mais de 95 milhões de Meticais.
As autoridades afirmam ainda que o actual modelo de compensação é temporário, estando prevista a implementação de um novo sistema de controlo operacional dos veículos, com o objectivo de tornar os apoios mais ajustados à actividade efectiva de cada operador.
No entanto, não se conhecem as datas para migração do modelo de compensações, numa altura em que parte dos operadores se sente excluída do processo





