Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

27 de May, 2026

Transportadores paralisam actividades na KaTembe e agravam crise de mobilidade na baía de Maputo

Escrito por

Centenas de passageiros voltaram a enfrentar longas filas e dificuldades para chegar aos seus destinos, nesta terça-feira, na KaTembe, na margem sul da baía de Maputo. Em causa esteve mais uma greve dos transportadores semi-colectivos das rotas Ka Elisa-Anjo Voador, Baixa-Bela Vista, entre outras rotas que ligam as margens sul e norte da capital do país.

Os operadores afirmam ter voltado a paralisar as actividades, por um lado, em contestação à actuação da Polícia Municipal (que alegadamente apreende viaturas sem motivo) e, por outro, às tarifas em vigor, consideradas insustentáveis face aos preços dos combustíveis.

Desde as primeiras horas do dia que várias paragens registavam enchentes de passageiros, sobretudo trabalhadores, estudantes e vendedores informais, que dependem diariamente dos “chapas” para se deslocarem ao centro da cidade de Maputo. Em algumas situações, os utentes foram obrigados a caminhar ou mesmo a recorrer a alternativas mais dispendiosas para chegar aos seus destinos.

Os operadores afirmam que as tarifas em vigor já não respondem às despesas operacionais, que incluem a aquisição de combustíveis, a manutenção de viaturas, a compra de peças sobressalentes e o pagamento de taxas. Os operadores afirmam ainda que o actual custo de vida tem agravado as dificuldades financeiras no sector, reduzindo significativamente as margens de lucro.

“Estamos a trabalhar praticamente sem lucro. O dinheiro que fazemos já não chega para comprar combustível, manutenção e ainda temos de entregar receitas aos proprietários das viaturas”, lamentou um motorista afecto à rota Ka Elisa-Anjo Voador.

Um cobrador da mesma rota afirmou que muitos operadores estão endividados devido aos custos crescentes da actividade. “Todos os dias, os preços estão a subir, mas querem que continuemos a cobrar a mesma tarifa. Assim fica difícil sobreviver”, disse Marcos Malate.

“Além das dificuldades diárias, agora estamos a perder carros por causa das fiscalizações. Precisamos de diálogo e não apenas repressão”, declarou Lúrio Ubisse, motorista da mesma rota. As apreensões, apurou “Carta”, estão relacionadas à aplicação de tarifas ilegais por parte de alguns transportadores.

Entretanto, apesar da contestação, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo reitera que ainda não houve qualquer actualização oficial das tarifas de transporte público e considera ilegal a cobrança de preços não autorizados.

Refira-se que a interrupção dos serviços de transporte de passageiros está a provocar fortes constrangimentos na mobilidade urbana, em Maputo, afectando milhares de cidadãos que, diariamente, dependem do transporte semi-colectivo nas suas deslocações na província e cidade de Maputo.

Visited 31 times, 31 visit(s) today

Sir Motors

Ler 31 vezes