Centenas de enfermeiros marcharam esta quinta-feira, em Maputo, em repúdio à demora na homologação dos resultados eleitorais na Ordem dos Enfermeiros de Moçambique. Os manifestantes acusam a actual direcção da Ordem de atrasar, sem justificação, a validação dos resultados, que deram vitória a Jeremias Matecateca, nas duas votações.
A marcha, que decorreu de forma pacífica entre o Ministério da Saúde e a Sede Nacional da Ordem dos Enfermeiros de Moçambique, visava pressionar a Mesa da Assembleia-Geralda agremiação a concluir o processo de homologação dos resultados definitivos das eleições realizadas a 9 de Abril deste ano.
Em declarações à imprensa, Jeremias Matecateca, vencedor do escrutínio, afirmou que o regulamento eleitoral estabelece um prazo de 30 dias para a homologação dos resultados após a realização das eleições. Contudo, passados quase dois meses, o processo continua sem desfecho.
“O que está a acontecer é uma marcha em repúdio à não homologação dos resultados definitivos das eleições da Ordem dos Enfermeiros de Moçambique e, consequentemente, à não tomada de posse dos órgãos eleitos”, declarou.
Segundo Jeremias Matecateca, a Comissão Eleitoral já divulgou os resultados provisórios, que o apontam como vencedor do escrutínio. No entanto, a Mesa da Assembleia-Geral ainda não deu seguimento aos procedimentos necessários para validá-los oficialmente e permitir a entrada em funções dos novos dirigentes.
O candidato eleito sublinhou que o Tribunal declarou extinta, por nulidade, a providência cautelar submetida poruma das concorrentes. A extinção da acção foi decretada a 07 de Maio. “Desde então, não houve qualquer pronunciamento no sentido de dar continuidade ao processo de homologação e tomada de posse”, lamentou.
Matecateca afirmou que os enfermeiros decidiram manifestar-se para pressionar os órgãos competentes a respeitar a vontade expressa pelos membros da organização. “Vencemos as eleições por duas vezes, por isso entendemos que devemos tomar posse e dar continuidade ao trabalho da Ordem dos Enfermeiros”, defendeu.
Já o Presidente da Associação dos Enfermeiros, Raul Piloto, reforçou as suas críticas à actual direcção da Ordem, acusando-a de prolongar indevidamente a sua permanência no poder. “Há quase quatro meses foram realizadas as segundas eleições e, mesmo assim, ainda não querem entregar o poder ao legítimo vencedor”, afirmou.
Segundo Piloto, o mandato dos actuais dirigentes deveria ter terminado em Agosto do ano passado, porém, os sucessivos adiamentos do processo eleitoral permitiram a continuação da actual liderança.
Refira-se que, para além dos membros da Associação dos Enfermeiros, a manifestação contou também com aparticipação da Associação das Parteiras, cujos membros manifestaram a sua solidariedade para com as reivindicações dos enfermeiros. Os participantes garantem que continuarão a mobilizar-se de forma pacífica até que os resultados eleitorais sejam homologados e os novos órgãos dirigentes possam assumir funções.




