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28 de July, 2025

Filimone Meigos novo SG da AEMO, mas…aguarda decisão judicial

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O escritor Filimone Meigos é, desde sábado último, o Secretário-Geral da AEMO (Associação dos Escritores de Moçambique), em substituição de Carlos Paradona, que vinha liderando a organização desde Abril de 2022. Meigos foi eleito com 99% dos votos, num escrutínio em que concorreu sozinho, após a desistência de Luís Cezerilo (da Lista C) e a retirada de Aurélio Furdela (da Lista B).

No entanto, a liderança do académico está dependente da justiça, sobretudo do juiz Hélio Hugo Canjale, da 9ª Secção Cível do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, que no passado dia 25 de Junho decretou uma providência cautelar não especificada, tendo suspendido o Regulamento Eleitoral da AEMO e a respectiva Comissão Eleitoral, num processo movido pela Lista B, liderada pelo escritor Aurélio Furdela.

No requerimento submetido ao Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, a Lista B solicitava ainda a suspensão da candidatura de Filimone Meigos “por se achar sustentada em vícios formais e materiais. Fundamentou ter tomado conhecimento de uma reunião envolvendo os escritores Filimone Meigos, Sangare Okapi, Ungulani Ba Ka Khosa e Armando Artur, onde “foram tomadas deliberações relativas à admissão de novos membros, composição da Comissão Eleitoral e revisão do valor das quotas”.

Dos três pedidos, o Tribunal indeferiu o pedido de suspensão da candidatura de Filimone Meigos por entender que não era parte do processo. Designou o próximo dia 05 de Agosto (uma terça-feira) para a realização do contraditório, que deverá determinar a manutenção ou não da providência cautelar decretada na sexta-feira.

À “Carta”, Filimone Meigos disse estar com a consciência tranquila e que aguarda, de forma serena, pela decisão do Tribunal, pois, entende que o escrutínio respeitou a providência cautelar decretada, na medida em que os membros concordaram em dissolver a contestada Comissão Eleitoral e não usar o Regulamento Eleitoral, tendo recorrido ao próprio Estatuto da organização como guia para a realização do acto eleitoral.

Para Filimone Meigos, a AEMO é quem saiu a perder neste processo pelos “termos e nível de debate” que se testemunhou durante a Assembleia-Geral. “Foi baixo, muito baixo”. “Como membro, estou triste porque jamais imaginei que pudesse haver um debate muito baixo na AEMO. Na nossa juventude também houve afronta, mas com algum civismo. Mas, não é o que se vê hoje. A nossa juventude tem muita avidez, avidez pelo poder”, defendeu o sociólogo.

Para o escritor, os episódios vividos nos últimos dias na AEMO vêm mostrar, por um lado, que há disfuncionalidade “na casa dos intelectuais” e, por outro, que a sociedade moçambicana está doente. “Mas estou feliz porque conseguimos trazer membros que há muito não pisavam a sua casa. É sinal de reconhecimento de que deve haver mudanças”.

Quem também entende não haver irregularidades na eleição de sábado é o escritor Jorge De Oliveira. Afirma que o escrutínio decorreu em total respeito à providência cautelar, visto que se constituiu uma nova Comissão Eleitoral e se usou o Estatuto como bússola eleitoral. A nova Comissão Eleitoral foi dirigida pelo jornalista Tomás Vieira Mário.

Aliás, para De Oliveira, os números que garantiram a eleição de Filimone Meigos provaram haver união no seio da organização. “Continuamos a incentivar o debate de ideias e não os ataques pessoais. Os que promovem ataques pessoais não são membros da organização, mas infiltrados.

Em comunicado de imprensa distribuído este domingo, a Lista B disse não ter participado do escrutínio em respeito à decisão do Tribunal, pois, “sobre o segundo ponto, as eleições, pesava uma providência cautelar que suspende a comissão e o regulamento eleitoral, instrumentos imprescindíveis para a realização de eleições”, pelo que “a Lista A procedeu a um exercício eleitoral nulo”. “A Lista B e os seus apoiantes abstiveram-se de qualquer acto (activo ou passivo) de eleição dos novos órgãos directivos da AEMO”. (A.M.)

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