Pelo menos um milhão de pessoas já beneficiaram do programa “ENI por uma Cozinha Limpa” impulsionado pela ENI Natural Energies Moçambique”, anunciou na quarta-feira (17) a petrolífera italiana.
O anúncio foi feito durante uma cerimónia que incluiu a inauguração da exposição fotográfica “Food, Energy & Life”, dedicada a retratar o impacto do projecto nas comunidades.
No âmbito da iniciativa, já foram distribuídos 200 mil fogões melhorados nas províncias de Maputo, Sofala e Manica.
A directora-geral da ENI em Moçambique, Marica Calabrese, afirmou que a iniciativa faz parte da estratégia da empresa para promover a transição energética e apoiar o desenvolvimento das comunidades.
“Moçambique está no centro da nossa estratégia. Começámos com o gás, mas para nós Moçambique é muito mais do que isso. Temos projectos agrícolas, de créditos de carbono e este projecto de cozinha limpa porque as comunidades estão no centro da nossa estratégia”, afirmou.
Segundo Calabrese, os fogões são distribuídos gratuitamente nos bairros abrangidos pelo programa e consomem até 80% menos carvão ou lenha do que os modelos tradicionais.
“O benefício é económico para as famílias, mas também para a saúde, sobretudo das mulheres e crianças que passam mais tempo expostas ao fumo durante a preparação dos alimentos”, explicou.
A responsável destacou ainda o impacto do programa na criação de emprego. Os fogões são produzidos localmente no Instituto Superior Dom Bosco, envolvendo jovens moçambicanos em actividades de fabrico, soldadura e distribuição.
Apesar da meta alcançada, a ENI garante que pretende expandir o projecto para outras regiões do país.
“Atingimos um milhão de pessoas, mas queremos alcançar muito mais. Já trabalhamos em Maputo, Sofala e Manica e queremos avançar para Nampula e outras províncias”, anunciou.
Por sua vez, o responsável pela área de saúde da ENI, Filippo Uberti, defendeu que o acesso a soluções de cozinha limpa constitui uma questão de saúde pública.
Segundo explicou, a poluição doméstica provocada pelo uso de combustíveis sólidos continua a afectar milhões de pessoas em todo o mundo.
Dados recolhidos pela empresa em Sofala e Manica indicam que, antes da introdução dos fogões melhorados, 39,7% das famílias reportavam irritação ocular e 34% apresentavam sintomas respiratórios.
Após a adopção dos novos equipamentos, os problemas associados ao fumo doméstico terão reduzido em 94%, enquanto os níveis de monóxido de carbono diminuíram em 85 por cento.
Naldo Horta, da Secretaria de Estado da Província de Maputo, considerou que o projecto constitui um importante contributo para o desenvolvimento sustentável, destacando os benefícios económicos, ambientais e sociais da iniciativa.
“O impacto deste projecto é evidente. Os fogões melhorados reduzem o consumo de lenha e carvão, diminuem a pressão sobre os recursos florestais e melhoram as condições de saúde das famílias”, afirmou.
Já Adérito Wetela, em representação do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, destacou que mais de metade dos moçambicanos continua dependente da lenha e do carvão para cozinhar, defendendo os fogões melhorados como uma alternativa capaz de reduzir custos para as famílias, proteger as florestas e melhorar a qualidade de vida das comunidades.
“Quando protegemos a saúde das nossas famílias, também protegemos o nosso ecossistema. O uso de fogões melhorados é um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável das nossas comunidades”, concluiu.





