Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

14 de May, 2026

Crise nos transportes continua a afectar Maputo após subida do preço dos combustíveis

Escrito por

A crise no transporte semi-colectivo de passageiros continua a afectar vários pontos da cidade e província de Maputo, devido à paralisação de operadores de “chapas” que contestam os recentes aumentos do preço dos combustíveis e exigem a revisão das tarifas de transporte.

As rotas T3-Muhalaze, Albazine-Costa do Sol, Albazine-Praça dos Combatentes e Albazine-Zimpeto são as mais afectadas, deixando centenas de passageiros retidos nas paragens, durante as primeiras horas do dia desta quarta-feira.
No Bairro de Albazine, arredores da cidade de Maputo, a manhã começou com fortes constrangimentos de mobilidade. Viaturas de 15 lugares permaneceram estacionadas, numa demonstração de protesto dos transportadores semi-colectivos, que alegam já não conseguir suportar os custos operacionais.

Os operadores afirmam que o mais recente aumento do preço dos combustíveis agravou significativamente as despesas diárias da actividade, reduzindo drasticamente as margens de lucro.

“Antes da subida do combustível, gastávamos cerca de 2.500 meticais por dia. Agora, os custos aumentaram e o dinheiro arrecadado já não cobre as despesas nem garante retorno para os proprietários e motoristas”, explicou Júlio Nhassengo, um dos transportadores entrevistados no local.

Segundo os “chapeiros”, a única solução imediata passa pela revisão das tarifas actualmente praticadas.

Em várias rotas, os operadores defendem um aumento entre cinco e dez meticais no preço da passagem.

“Com os preços actuais, não conseguimos trabalhar. O combustível está muito caro e o valor da tarifa já não corresponde aos custos reais da operação”, acrescentou Manuel Langa, motorista da rota Albazine-Costa do Sol.
A paralisação gerou longas filas e aumentou o desespero dos passageiros, muitos dos quais tiveram dificuldades para chegar aos seus locais de trabalho.

Apesar dos transtornos, alguns utentes reconhecem que os transportadores enfrentam dificuldades reais, devido à subida contínua do custo de vida.

“Os transportadores têm razão. Não é possível manter a tarifa em 15 meticais quando o combustível subiu. Mas nós também sofremos porque os salários não aumentam”, lamentou Angelina Magaia, passageira.

Outros cidadãos apelaram ao Governo para encontrar soluções urgentes que aliviem tanto os custos dos transportadores como o peso financeiro sobre os passageiros.
“O arroz sobe, o combustível sobe e o salário continua igual. O povo está cansado”, desabafou Luís Carlos Uqueio, utente.

Na sequência da paralisação, agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) foram destacados para o Bairro de Albazine com o objectivo de monitorar a situação e prevenir possíveis actos de desordem.

Até ao momento, não foram reportados incidentes graves, embora o ambiente tenha permanecido tenso nas principais paragens afectadas. Enquanto algumas zonas registavam paralisações, outras rotas da cidade de Maputo continuaram a operar normalmente, mantendo a tarifa habitual de 15 meticais.

Foi o caso dos percursos Praça dos Combatentes-Baixa, Museu-Praça dos Combatentes, entre outros corredores considerados estratégicos para a circulação urbana. A crise volta a evidenciar os desafios do sector dos transportes públicos em Maputo, num contexto marcado pelo aumento do custo dos combustíveis, pressão sobre os operadores e dificuldades económicas enfrentadas pelos cidadãos. (M.A)

Visited 1 times, 1 visit(s) today

Sir Motors