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Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

13 de May, 2026

Análise do impacto das medidas do Governo nos transportes urbanos

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A economia global enfrenta, em 2026, o que Agência Internacional de Energia e especialistas denominaram de grande choque adverso e a maior crise energética da história, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, como a guerra no Irão e o encerramento do Estreito de Hormuz. O barril de petróleo Brent ultrapassou 100 dólares, lançando pânico aos orçamentos de estado de diversos países e gerando escassez e alta de preços. Este choque adverso tem afectado todos países, dependentes ou não do petróleo de formas diferentes.

No caso de Mocambique, a situação levou ao aumento dos preços dos combustíveis, processo que segue regras de ajuste e fixação dos preços dos combustíveis, baseiando-se na abordagem adoptadaem 2017 e que culminou com a criação da autoridade reguladora (ARENE). Nesta fase, foi instituída uma regra para a fixação dos preços dos combustíveis que associa os preços a nível nacional com os custos económicos.

A ARENE regula e supervisiona o mecanismo de fixação dos preços, revendo os preços numa base mensal. O mecanismo foi aperfeiçoado em 2019 para incorporar todos os custos da importação e armazenamento dos combustíveis (produto petrolífero).

As variações dos preços do mercado numa banda até 3% não conduzem a ajustamentos nas bombas; um preço nas bombas abaixo ou acima do ponto de equilíbrio na banda desencadeia as contribuições para ou os levantamentos de um fundo de estabilização.
Se as variações dos preços do mercado se situarem entre os 3% e 20%, a ARENE ajusta os preços nas bombas automaticamente.
Caso as variações sejam superiores a 20%, a decisão de fixação dos preços compete ao Conselho de Ministros.

Tendo as variações superado os 20% em Abril, o Conselho de Ministros aprovou nova tabela de preços de combustíveis e que entrou em vigor no dia 7 de Maio, 2026. Nesta nova tabela, o Gasóleo registou a maior subida, saindo dos 79,88 Mt/L para 116,25 Mt/L, um incremento de 36,37. Tendo em conta que o gasóleo afecta, directamente, a cesta básica e/ou a maior parte da população, seja através daquela ou dos transportes, o Governo anunciou a introdução de um subsídio directo:

Transportadores (Chapas): Subsídio mensal de 35 mil meticais para proprietários licenciados, visando mitigar o aumento do custo dos combustíveis.
Transporte Escolar: Subsídio na tarifa de estudantes em autocarros movidos a gás, geridos pelo setor privado e municípios.

Estas medidas tinham como objectivo o de evitar o aumento das tarifas de transporte público para o consumidor final. Analisando o provável impacto do subsídio, primeiro para o transportador, segundo para o consumidor.

Aqui, pode-se notar que, para um transportador da Rota Baixa-T3/Khongolote, com distancia estimada de 23km, tendo em conta o seu consumo e preço do gasóleo de 116 Mt/l, sem o subsídio, teria um prejuízo mensal de 12 560,00 Mt. Antes da subida do preco do gasóleo, ele realizava ganhos estimados em 25 840, 00 Mt, sem subsídios. Agora, com a intervenção do Governo com o objectivo de manter a tarifa, em troca do subsídio, o transportador acaba recebendo uma Injecção líquida de 22 440,00 Mt por mês, que pode servir para manutenção do carro e poupança. Portanto, este transportador tem grandes benefícios com a aplicação dos subsídios de 35 000,00 Mt por mês. No geral, se assumir-se o número total de semi-colectivos de 3030 em operação na área metropolitana de Maputo, então, o subsídio totalizará cerca de 1,27 mil milhões de meticais por ano.

Do lado consumidor:

O primeiro, o consumidor tem o benefício de ver a manutenção de tarifa do transporte, podendo, com o mesmo valor, pagar as viagens necessárias. Entretanto, caso o ajuste no preço do gasóleo de 36,37 meticais adicionais por cada litro não tivesse sido acompanhado pelo subsídio ao transportador, então o consumidor teria que pagar uma tarifa mais cara. Essa tarifa seria o resultado da tarifa média actual, 18 Mt/viagem, mais o ajuste no preço do gasóleo de 36,37 Mt/L. E, assumindo uma família com agregado de 5 pessoas, com duas deslocações em média diária, então, este consumidor teria aumento do custo da sua cesta básica 944,89 Meticais

Mas, como foi subsidiado ao transportador para manter o preço, então o Governo evita o encarecimento da cesta básica, e o consumidor poupa 944,89 Meticais.
Paralelamente, o Governo entregou 190  autocarros,sendo que 150 destinam-se aos municípios da Área Metropolitana de Maputo, incluindo Maputo, Matola, Marracuene, Manhiça, Boane, Namaacha e Matola-Rio, além do reforço da integração com o sistema ferroviário. A medida deverá beneficiar cerca de 2,8 milhões de passageiros por mês.
A área metropolitana de Maputo está organizada em sete corredores.
A entrada imediata em operação dos 150 autocarros, isso representa cerca de 35% de autocarros em circulação na área. De per si, mostra o peso que a presença destes autocarros terá na substituição da frota existente. O corredor 5, em média, ‘e o mais longo, tendo uma viagem média de 53,9 km percorridos.
Um dos aspectos mais importante é que 1kg de 19 deste combustível possui aproximadamente a mesma quantidade de energia do que 1,3 litros de gasóleo e 1,5 litros de gasolina (7). Então, numa viagem de cerca 53,9 km o autocarro vai consumir 11 litros de gasóleo, significa que, caso seja autocarro de Gás Natural Veicular (GNV), então irá consumir 8,4 kg que custa 52,73 Mt/Leq o que lhe dá um custo de 442,93 Meticais por viagem. No caso do gasóleo, o custo seria 1 276 meticais, por viagem. Ou seja, cada autocarro do corredor 5 da área metropolitana de Maputo, em média, poderá obter uma poupança de 833,07 meticais por viagem. Esta poupança ‘e significativa e, há aqui, espaço para pensar na sua repartição com o passageiro. Se o transportador fosse usar autocarro a gasóleo, teria que pagar por 116 Mt/L de combustível. Com o apoio do Governo, ele passa a usar um autocarro a GNV que lhe custa, quase metade de preco do combustível. Este benefício poderia ser partilhado com os passageiros através de redução da tarifa.
No geral, o ajuste em alta dos preços dos combustíveis, o seu impacto nos transportes de passageiros e cesta básica poderá ser minimizado com as medidas adoptadas. Do lado do transportador, o subsídio, funcionado conforme foi desenhado, poderá ajudá-lo a obter rendimentos positivos, enquanto o passageiro se beneficia da manutenção da tarifa. Na perspectiva da cesta básica, o consumidor evita o aumento em cerca de 944,89 Meticais no respectivo custo devido `a medida do subsídio. Com a introdução dos autocarros movidos a GNV, os transportadores tornam-se mais competitivos, reduzindo o custo operacional em quase metade. Parte deste ganho de competitividade poderia ser repassado ao passageiro, através de redução parcial da tarifa.

 

 

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