Funcionários da Sociedade Comercial Notícias da Beira, proprietária do jornal Diário de Moçambique, o maior e mais antigo tabloide da zona centro, voltaram a emitir um aviso de paralisação laboral, a vigorar por um período inicial de sete dias, com início marcado para a próxima segunda-feira, 27 de Abril de 2026.
A decisão deve-se aos atrasos que se verificam no pagamento de salários. Informações avançadas à “Carta” indicam que os trabalhadores do Diário de Moçambique não auferem seus salários desde que começou o ano de 2026. Isto é, os salários em atraso são referentes aos meses de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril de 2026. Porém, os trabalhadores reclamam ainda o pagamento de um fundo de poupança, acumulado ao longo de 11 meses, entre Janeiro e Novembro de 2025.
Esta será a segunda greve geral dos trabalhadores daquela companhia a ter lugar em três meses. Lembre-se que, em Janeiro último, os trabalhadores daquele jornal entraram em greve (que durou três dias) também devido ao atraso no pagamento de salários referentes aos meses de Outubro, Novembro e Dezembro de 2025.
Na altura, a greve, que estava prevista para durar sete dias, foi suspensa após um acordo entre a direcção da empresa e os trabalhadores, que previa o pagamento faseado dos salários em atraso. Passados três meses, os trabalhadores voltam a paralisar as actividades.
Na carta de pré-aviso de greve, a que “Carta” teve acesso, os trabalhadores reportam que, no passado dia 14 de Abril, reuniram-se com representantes da direcção da empresa, com o objectivo de discutir a situação salarial, no entanto, “não houve avanços significativos na resolução do problema”.
Os trabalhadores revelam que, até ao momento, não receberam justificações formais por parte da entidade empregadora, nem respostas às comunicações enviadas pelos comités sindicais. Referem ainda que, no passado dia 08 de Abril, a empresa procedeu ao pagamento de apenas 50% do salário de Janeiro sem aviso prévio, tendo posteriormente informado que o valor seria liquidado em duas parcelas. Contudo, a segunda parcela, prevista para o dia 17 de Abril, ainda não foi depositada.
Face à situação, os trabalhadores dizem ter-se reunido esta terça-feira, tendo deliberado, por unanimidade, avançar com a paralisação laboral, por considerar ser o último recurso legal. A paralisação, que vai durar sete dias, poderá ser prorrogada, caso a empresa não se pronuncie.
Durante o período de greve, os comités sindicais dizem que vão assegurar o cumprimento das disposições legais, incluindo a manutenção de serviços mínimos, nomeadamente, nas áreas de limpeza e publicidade.





