O uso de dispositivos explosivos improvisados (IED, na sigla em inglês) pelos grupos terroristas, na província de Cabo Delgado, norte do país, tem-se afirmado como um elemento central da sua estratégia de defesa e contenção das forças governamentais.
A informação consta do relatório quinzenal publicado a 18 de Junho pela ACLED, entidade independente de monitoria de conflitos no mundo.
O relatório refere que o uso mais recente de IED pelos insurgentes em Cabo Delgado foi entre 01 e 04 de Junho, com o registo de três lançamentos, tendo dois sido neutralizados pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) no terreno.
Um veículo militar foi atingido por aquele tipo de explosivos, no sul de Mocímboa da Praia, a partir da base de Mbau das forças ruandesas, responsável por patrulhas regulares em direcção a Limala e outras zonas da bacia do rio Messalo.
Nessa área foram registados pelo menos oito incidentes com IEDs, desde 2021, realça a ACLED. O relatório de Monitoria do conflito em Cabo Delgado sublinha que o primeiro registo da utilização destes engenhos ocorreu em 2021, sendo que desde lá foram documentados cerca de 45 incidentes com IEDs, com maior incidência nos distritos de Macomia e Mocímboa da Praia.
A maioria dos explosivos foram aplicados nas estradas que circundam a floresta de Catupa, área que tem sido usada como corredor operacional e ponto de protecção de movimentações terroristas.
Anota o documento que os explosivos são utilizados sobretudo para limitar o avanço das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e das forças ruandesas destacadas na província, criando uma zona de risco em torno de áreas de interesse estratégico do grupo.
No entanto, a combinação de estradas degradadas, vegetação densa e curvas fechadas aumenta a vulnerabilidade das colunas militares, facilitando emboscadas e ataques com explosivos, numa situação em que os engenhos são frequentemente accionados por sistemas de comando à distância, o que permite ao grupo atingir alvos militares com precisão e reduzir a exposição directa dos atacantes.
Em alguns casos, os ataques são também registados em vídeo para fins de propaganda.
A ACLED destaca, por outro lado, o desafio estrutural para as forças de segurança no terreno, apontando a necessidade de detecção contínua de explosivos e a interrupção da cadeia de fornecimento de materiais utilizados na sua produção, e a localização exacta dos pontos de fabrico que permanecem incertos, embora algumas áreas florestais continuem a ser apontadas como possíveis centros operacionais.





