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9 de June, 2026

Xenofobia: MDM defende adopção de políticas favoráveis à promoção do emprego

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A onda de violência xenófoba que se verifica na vizinha África do Sul, e que causou a morte de pelo menos nove moçambicanos, continua a gerar um coro de indignação e repúdio de líderes políticos africanos.

Esta segunda-feira foi a vez de Lutero Simango, Presidente do MDM (Movimento Democrático de Moçambique), manifestar a sua indignação com a brutalidade que se assiste naquela nação africana. “Queremos aqui nos solidarizar com as famílias enlutadas, muitos já disseram tudo sobre a África do Sul, mas temos de repensar seriamente como se resolve este problema”.

Segundo Lutero Simango, a solução do problema da xenofobia para Moçambique passa pela “correcção das políticas públicas nacionais”, devendo se promover mais empregos para os moçambicanos, através da criação de mais Pequenas e Médias Empresas, fortalecimento do sector privado e incentivo do sector familiar.

“Nestes últimos tempos, temos assistido ao encerramento de empresas, temos assistido à redução dos investimentos. Por isso, urge, de facto, corrigir as políticas públicas, não só de promoção de empregos, assim como de atracção de investimentos estrangeiros”, afirmou Simango, para quem “isso passa necessariamente pela industrialização da agricultura”.

Para o Presidente do MDM, é preciso adoptar-se “políticas correctas” na área agrária para transformar a terra “num centro de desenvolvimento económico”. “Infelizmente, isto não está a acontecer. Não estamos a conseguir produzir produtos nacionais que devem gerar o nosso próprio mercado”.

O político defende igualmente que o país deve desenvolver políticas e estratégias de gestão e conservação da água. “Podemos ter muita vontade de produzir comida, mas não se pode fazer isso sem que haja, de facto, uma política correcta de gestão e conservação de águas, que passa necessariamente na construção de barragens”, defendeu.

Para além do investimento na agricultura, Lutero Simango entende que Moçambique deve combater a burocracia e os “10%” que são sempre exigidos aos investidores estrangeiros. “Há muita gente que quer investir em Moçambique, mas quando chega aqui é confrontada com normas e regras à margem da lei e, como resultado, perde a vontade e o desejo de investir”.

A aposta no ensino técnico-profissional de qualidade também pode reduzir a saída de jovens moçambicanos para a África do Sul. Lutero Simango diz que é preciso investir na formação técnica de qualidade para que o “nosso jovem formado seja equiparado a jovens de outros países”.

A reabilitação da Estrada Nacional Nº 1, a chamada espinha dorsal do país, entra também na equação do combate à xenofobia. Simango defende que a reabilitação daquela rodovia pode acelerar a economia nacional. “Não se pode pensar num desenvolvimento nacional, não se pode pensar no sucesso das pequenas e médias empresas enquanto persistir uma Estrada Nacional Número 1 sem condições de bom efeito”.

Refira-se que perto de mil moçambicanos já foram repatriados nos últimos dias, vítimas de xenofobia, sobretudo na província do Cabo Ocidental (onde se localiza a Cidade do Cabo). No domingo, por exemplo, o país recebeu 169 moçambicanos, entre eles, 16 menores idos da vizinha África do Sul.

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