O Banco de Moçambique voltou a registar um resultado líquido negativo pelo segundo ano consecutivo, depois da recuperação registada no ano de 2023. Contas Anuais do regulador do sistema financeiro nacional, publicadas na sexta-feira, indicam que, em 2025, o prejuízo consolidado foi de 12.821.192 mil Meticais.
O Relatório consultado pela “Carta” indica que o banqueiro do Estado moçambicano obteve um rendimento consolidado total de 6.245.358 mil Meticais (menos 4.801.549 mil Meticais que em 2024) e gastos na ordem de 19.066.549 mil Meticais (mais 4.225.864 mil Meticais que em 2024).
A análise da “Carta” mostra que este é o sexto ano em que o Banco Central regista prejuízos nos últimos oito anos. Em 2024, o Banco de Moçambique registou um prejuízo de 3.793.778 mil Meticais, enquanto em 2023 teve um lucro de 1.274.815 mil Meticais.
O lucro de 2023 representou uma recuperação do prejuízo registado em 2022 e integra uma lista curta dos bons desempenhos do banco desde 2018, que inclui também o ano de 2021. Em 2022, o Banco de Moçambique registou um prejuízo consolidado de 171,7 milhões de Meticais. Em 2021, teve um lucro consolidado de 575.7 milhões de Meticais.
Já em 2020, o Banco Central registou um prejuízo de aproximadamente 1.4 mil milhões de Meticais, depois de, em 2019, ter obtido um prejuízo de mais de 4.6 mil milhões de Meticais. Em 2018, a instituição liderada por Rogério Zandamela obteve um prejuízo de 12.5 mil milhões de Meticais. Aliás, neste ano, o “buraco” foi descoberto após a reapreciação das contas, pois, o relatório de 2018 indicava um lucro de perto de 1.5 mil milhões de Meticais.
Refira-se que, em 2025, os gastos com o pessoal fixaram-se em 12.321.308 mil Meticais, dos quais 9.507.536 mil Meticais foram gastos em remunerações de empregados e 1.497.473 mil Meticais em custos com benefícios dos empregados.
O Banco Central afirma que a rubrica “custos com benefícios dos empregados” apresenta um saldo desfavorável à instituição pelo facto de os retornos estimados do exercício terem apresentado um valor inferior ao somatório dos custos financeiros e dos serviços correntes. Esta situação teve impacto nos custos globais com as remunerações.
Sublinhar que estas podem ter sido as últimas Demonstrações Financeiras do Banco Central sob liderança de Rogério Zandamela, que cumpre o seu segundo mandato na qualidade de Governador do Banco de Moçambique. Foi nomeado ao cargo, em Agosto de 2016, pelo ex-Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi.





