O sector bancário permaneceu, em 2025, estável, com rendibilidade satisfatória e níveis adequados de capitalização e liquidez.
A qualidade da carteira de crédito do sector bancário registou melhoria, revertendo a tendência de deterioração observada no ano anterior. As informações constam do Relatório de Estabilidade Financeira referente a 2025, publicado há dias pelo Banco de Moçambique.
De acordo com o documento, em 2025, os resultados líquidos (lucros) dos bancos que operam em Moçambique ascenderam a 15,13 mil milhões de Meticais (236,7 milhões de US), valor que representa uma redução de 38,85% face ao ano anterior, em que os bancos registaram 24 mil milhões de Meticais (3756 milhões de USD).
Em 2025, o Banco de Moçambique constatou também que os bancos comerciais registaram um rácio de solvabilidade (indicador que mede a capacidade de um banco de honrar as suas obrigações de longo prazo e absorver eventuais prejuízos) de 28,14%, cifra acima do mínimo regulamentar de 12,00%, o que consubstancia uma margem confortável para fazer face a desequilíbrios financeiros.
“Os rácios de rendibilidade dos activos (ROA) e de rendibilidade dos capitais próprios (ROE) fixaram-se em 2,16% e 8,63%, respectivamente. Por outro lado, o rácio de cobertura de liquidez de curto prazo fixou-se em 60,46%, acima do mínimo regulamentar de 25,00%. O rácio de crédito em incumprimento fixou-se em 7,47%, uma melhoria face aos 9,35% de 2024, ainda que a exposição ao risco permaneça acima dos referenciais prudenciais internacionais”, lê-se no referido Relatório.
O fiscalizador constatou ainda que o nível de concentração no sector bancário, em 2025, manteve-se razoável, em virtude da proactividade dos bancos não sistémicos na captura de novas oportunidades de mercado.
“Em Dezembro de 2025, as quotas de mercado dos activos, depósitos e créditos dos bancos domésticos de importância sistémica (BCI, BIM e Standard Bank) situaram-se em 58,09%, 62,18% e 54,04%, respectivamente, confirmando uma tendência decrescente de domínio dos grandes protagonistas em todos os indicadores”, observou o Banco Central.
Quanto ao sector de seguros, o regulador financeiro constatou que houve registo de um crescimento de 7,61%, impulsionado pelo incremento no ramo Vida. O sector mantém também uma margem de solvência confortável, garantindo capacidade de absorção de perdas e cumprimento de obrigações.
Segundo o Banco de Moçambique, em 2025, o sector de fundos de pensões consolidou-se como uma fonte de financiamento crucial para o Mercado de Valores Mobiliários (MVM) e, em contrapartida, a sua relevância para o sector bancário é menor.
Os depósitos dos fundos de pensões representavam apenas 0,18% do total de depósitos do sector bancário, por outro lado, o peso do valor dos títulos detidos pelos fundos de pensões sobre o total dos títulos do sector do MVM foi de 36,88%. “O MVM continuou a ser dominado por investimentos em títulos públicos. Neste contexto, os títulos públicos são responsáveis por 85,71% do total da capitalização bolsista”, refere o Relatório de Estabilidade Financeira de 2025.
O fiscalizador constatou, igualmente, que, no período em análise, a infra-estrutura de pagamentos do país consolidou a transição para a economia digital, evidenciada pelo forte crescimento no volume e valor das transacções via POS, mobile, caixas automáticos (ATM), internet banking e instituições de moeda electrónica, integradas na SIMOrede, que superou o desempenho de métodos de pagamentos tradicionais, como cheques e transferências bancárias ordinárias.
No documento, o Banco de Moçambique explica que o aludido dinamismo foi acompanhado por desenvolvimentos tecnológicos e regulatórios, e a aprovação de novas normas de ciber-segurança, para fortalecer a resiliência do sistema financeiro.





