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17 de June, 2026

Banco Central considera urgente regulamentar utilização da IA no sistema financeiro

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A Inteligência Artificial (IA) já não é apenas assunto do futuro, mas também do presente, pois, já se integra, de forma cada vez mais visível, no funcionamento do sistema financeiro, nos processos de decisão das instituições e na vida quotidiana dos cidadãos. Por isso, o Banco de Moçambique considera urgente regulamentar a utilização da tecnologia, no sistema financeiro moçambicano, devido aos riscos associados.

“A regulamentação da utilização da inteligência artificial no sistema financeiro moçambicano se torna indispensável”, disse, nesta terça-feira, na Matola, o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, durante a abertura da 17ª Edição das Jornadas Científicas da instituição que regula o sistema financeiro moçambicano.

Zandamela explicou a necessidade de regulamentação urgente pelo facto de a sua utilização também levantar “riscos associados ao uso inadequado de dados pessoais, à adopção de decisões automatizadas susceptíveis de prejudicar os consumidores, às ameaças à cibersegurança, ao risco sistémico decorrente da concentração tecnológica e à exclusão de pessoas com menor acesso digital”.

Segundo o gestor, com a regulamentação, o Banco Central não pretende travar a inovação, mas, sim, criar regras claras que assegurem que estas ferramentas sejam utilizadas com segurança, transparência, responsabilidade e respeito pelos direitos dos consumidores.

Nesse contexto, o Governador do Banco de Moçambique fez saber que, desde 2021, a instituição que dirige tem vindo a desenvolver diversas iniciativas que culminaram com a aprovação da Estratégia de Transformação Digital 2025-2027 e com a criação de uma Task Force dedicada à área da inteligência artificial.

“Este ano, aprovámos igualmente a nossa Política de Inteligência Artificial, que estabelece princípios orientadores destinados a assegurar que esta tecnologia seja utilizada de forma segura, transparente e responsável no seio do nosso banco central”, acrescentou o gestor.

Segundo o Governador do Banco Central, as referidas acções resultam do conhecimento acumulado com algumas iniciativas de inovação financeira, como o Sandbox Regulatório, que permitiu testar, em ambiente controlado, soluções financeiras inovadoras.

Apesar dos riscos associados à IA, o Governador do Banco Central apontou vantagens. Disse que a tecnologia pode contribuir para uma maior inclusão financeira, para a modernização dos produtos e serviços financeiros, para maior rapidez nas transacções, para a melhoria do atendimento ao público, para a prevenção de fraudes e para a disponibilização de soluções mais acessíveis, seguras e ajustadas às necessidades dos moçambicanos.

Para o Banco de Moçambique, a inteligência artificial assume também particular relevância, na medida em que pode apoiar a análise da política monetária, melhorar a qualidade das previsões macroeconómicas e reforçar a tomada de decisões em contextos cada vez mais complexos.

Segundo Zandamela, esta tecnologia tem igualmente elevado potencial para fortalecer a monitoria da estabilidade financeira, aprimorar a supervisão do sistema financeiro e aumentar a segurança e a eficiência dos sistemas de pagamento.

Refira-se que o Banco Central já utiliza ferramentas digitais de IA, como o Chatbot, um assistente virtual do Banco de Moçambique, que serve para agilizar e democratizar o acesso a informações financeiras e dados da instituição. Ele funciona de forma ininterrupta (24/7) para responder dúvidas de cidadãos e instituições.

Para além do Banco de Moçambique, há registo também de algumas instituições financeiras que já começaram a adoptar soluções baseadas em inteligência artificial, sobretudo em ferramentas digitais integradas em aplicações móveis, websites institucionais e serviços de mensagens.

Sublinhar que as Jornadas Científicas do Banco de Moçambique de 2026 decorreram sob o lema: “Regulamentação e Utilização da Inteligência Artificial no Sistema Financeiro: Risco e Oportunidades”. No decurso do evento, que reuniu mais de 200 participantes, entre funcionários do Banco Central, gestor da banca nacional e estudantes, foram apresentados três estudos sobre a matéria, pois a regulamentação e utilização da IA exigem mais do que mera tecnologia, requerem conhecimento, cooperação e sentido de responsabilidade.

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