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28 de May, 2026

Banco Central não pretende voltar a participar na factura de importação de combustíveis

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O Banco de Moçambique não tem intenção de voltar a comparticipar na importação de combustíveis, disponibilizando divisas, como forma de contribuir para a redução da crise de combustíveis que se tem verificado nos últimos dias nas principais cidades do país.

A instituição parou de ajudar na importação de produtos petrolíferos em meados de 2023.

“Sobre participação do Banco de Moçambique no combustível, nós já saímos há muito tempo. Já explicamos nas várias sessões, porque é que saímos e não temos intenções nenhuma de voltar a financiar o combustível. Está fora de questão. Isso não é assunto neste momento”, disse há dias, o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela.

Respondendo a perguntas de jornalistas, depois de anunciar as decisões tomadas no terceiro Comité de Política Monetária, Zandamela explicou que o Banco não pretende comparticipar na importação de combustíveis, porque os bancos comerciais têm disponibilizado divisas às petrolíferas.

“Observamos que os bancos, isso é muito importante falar, os bancos estão a fazer tudo o que é possível para apoiar, estão mesmo a apoiar. Os dados mostram. Estão comprometidos e mostram que estão a apoiar. Estão a priorizar a factura do combustível nas suas decisões de alocação do fundo cambial”, disse Zandamela.

Entretanto, o governador do Banco de Moçambique disse que se algumas petrolíferas não conseguem garantias bancárias e se queixam por isso, tal resulta de incapacidade dessas empresas para fazer empréstimo, alegadamente porque estão “falidas”.

“Não temos um problema de emissão de garantias àqueles prestamistas que têm capacidade. Não esquece, garantia é crédito. Se você não tem capacidade para ter esse crédito, mesmo que seja gasolineira, o banco não vai dar garantias. Então, temos situações de algumas instituições, em particular gasolineiras, que estão excluídas das garantias”, disse Zandamela.

Segundo o gestor, o Banco de Moçambique dispõe de informações que dão conta de que as garantias disponíveis às gasolineiras estão bem abaixo dos limites, pelo que existe espaço para os bancos comerciais concederem mais crédito, mas tal não acontece porque algumas petrolíferas estão arruinadas.

“Existe espaço, mas não está sendo usado por decisões destas instituições financeiras. As entidades que deveriam ter acesso a estas garantias, que é o crédito, não estão em condições. Por várias razões. Estão quebradas, estão falidas. Mas essa é a situação estatística que estamos a viver. Dentro do modelo de negócio e da avaliação do risco que eles fazem dos seus clientes, que são as gasolineiras”, explicou Zandamela.

Durante a conferência de imprensa, o governador do Banco Central negou que a instituição que dirige esteja com o balanço arruinado, depois de o Governo utilizar suas reservas para pagar na totalidade a dívida de cerca de 700 milhões de dólares americanos ao Fundo Monetário Internacional.

“O Estado já respondeu bem, por que tomou essa decisão. O mais importante para nós, como custódia destas reservas, a decisão, de termos pago o Fundo Monetário Internacional, de modo nenhum enfraqueceu o balanço do Banco de Moçambique. Continuamos com o nível de reservas extremamente confortáveis, de cinco meses de importação, que é bem alto, então isso não enfraqueceu”, disse Zandamela.

Entretanto, em meados de Maio corrente, foi notícia que as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Moçambique caíram 18% em Março, fixando-se em 3.4 mil milhões de dólares, o nível mais baixo dos últimos 12 meses, após o Governo ter utilizado parte destes recursos para liquidar antecipadamente a dívida junto do Fundo Monetário Internacional.

Estas reservas – divisas, em moeda estrangeira, necessárias à importação de bens e serviços – estavam a crescer, todos os meses, desde setembro, até atingirem o máximo histórico de 4.2 mil milhões de dólares americanos em Fevereiro, conforme dados de um relatório estatístico do Banco de Moçambique, a que a Lusa teve ontem acesso.

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