A Associação dos Trabalhadores Informais de Moçambique (ASTIMO) exortou o Conselho Municipal de Maputo a priorizar acções que demonstraram eficácia em processos anteriores de reorganização do comércio informal, alertando para o risco de repetir estratégias que se revelaram ineficazes ou prejudiciais.
Num parecer recentemente submetido às autoridades, a Associação defende que a repetição de abordagens sem impacto poderá comprometer a imagem da liderança municipal e aumentar a precariedade dos vendedores informais, cuja sobrevivência depende da actividade diária nas ruas.
“Ao invés de insistir em medidas paliativas que falharam no passado, é necessário adoptar estratégias ajustadas à realidade local e que apresentem resultados sustentáveis”, refere o documento.
A organização critica a ênfase nas estatísticas macros, como o número de bancas disponíveis nos mercados formais e apela a uma análise mais profunda sobre os motivos que levam os vendedores a resistir à transição para o sector formal.
Elementos como localização, acessibilidade, segurança e condições de higiene nos mercados devem, segundo os representantes, ser considerados com maior rigor. A Associação menciona a actual operação de remoção de vendedores informais na Praça dos Combatentes (Xiquelene) como exemplo de um possível fracasso.
Embora reconheça o mérito da metodologia baseada em sensibilização seguida de intervenção, alerta que, sem ajustes significativos, poderá estar à vista a repetição dos fracassos anteriores.
Entre as propostas apresentadas, destaca-se a realização de um estudo ou inquérito participativo, envolvendo diversos actores, incluindo os próprios vendedores informais, com o objectivo de recolher dados e perspectivas que fundamentem uma abordagem mais eficaz e humanizada.
O parecer termina reafirmando a disponibilidade da Associação para dialogar com o município e contribuir de forma construtiva para uma cidade mais organizada e inclusiva. (Carta)





