O assassinato de Dom Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Beira, está causando forte repercussão nacional e internacional, com declarações do Vaticano, da União Europeia e dos Estados Unidos da América, exigindo um rápido esclarecimento do crime e a responsabilização dos culpados.
Segundo o Vatican News, o Papa Leão XIV recebeu com pesar a notícia do “grave acto de violência” que levou à morte do prelado moçambicano. A reacção foi transmitida pelo Director da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, através do canal do Vaticano no Telegram.
“O Papa Leão XIV tomou conhecimento com pesar do grave acto de violência que causou a morte de Dom Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Beira, e une-se em oração ao povo da diocese e de Moçambique neste momento de desorientação”, lê-se na mensagem divulgada pela Santa Sé.
Na mesma comunicação, o Sumo Pontífice pediu também a Deus que conforte a comunidade católica e o povo moçambicano, apelando ao fim da violência. A mensagem surge num momento de profundo luto na Igreja Católica em Moçambique, onde Dom Osório Citora Afonso também serviu como secretário-geral da Conferência Episcopal de Moçambique.
O Bispo foi encontrado morto no sábado, na residência episcopal em Quelimane. Segundo informações divulgadas pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal, Dom Osório Citora foi atingido por múltiplos tiros no peito e no coração e não resistiu aos ferimentos. Os motivos do crime ainda são desconhecidos e estão sendo investigados.
Em declarações aos jornalistas, o porta-voz do SERNIC, na província Zambézia, Maximino Amílcar, explicou que os primeiros trabalhos de perícia realizados no local indicam que o prelado foi atingido por um disparo na região do peito, que terá atingido o coração.
“Foi pela madrugada que tomámos conhecimento do crime. O que apuramos nas perícias preliminares realizadas no terreno é que a vítima foi alvejada na parte do peito, tendo o projéctil provavelmente atingido o coração”, afirmou.
Segundo o responsável, os autores do crime teriam escalado o muro de vedação da residência após vandalizarem o sistema de segurança eléctrica. As investigações apontam que a cerca eléctrica estava inoperacional há cerca de dois meses, circunstância que poderá ter facilitado a acção dos atacantes.
“Vandalizaram a cerca eléctrica. Recebemos informações de que o sistema estava sem funcionar há aproximadamente dois meses, o que pode indicar que os criminosos tinham conhecimento prévio dessa situação, facilitando o acesso à residência”, explicou Maximino Amílcar.
Segundo o SERNIC, o ataque foi perpetrado com uma arma do tipo AK-M. Até ao momento, não há registo de detenções relacionadas com o caso. “Estamos perante um homicídio agravado. Nesta fase, não podemos avançar mais detalhes porque as investigações decorrem e é prematuro divulgar informações que possam comprometer o trabalho em curso”, acrescentou o porta-voz.
A morte do bispo também levou a União Europeia e os Estados Unidos da América a expressarem condolências e a exigirem uma investigação completa, transparente e célere. Em comunicado, representantes diplomáticos manifestaram solidariedade à Igreja Católica, à Diocese de Quelimane, à Conferência Episcopal e ao povo moçambicano.
A União Europeia descreveu a morte de Dom Osório como uma “perda profunda para a comunidade católica e para a sociedade moçambicana”, afirmando que as autoridades nacionais devem garantir que os responsáveis sejam identificados e levados à justiça.
A Embaixada dos Estados Unidos em Moçambique também expressou pesar pela morte do bispo, destacando o seu legado de serviço às comunidades moçambicanas. Washington reconheceu os esforços já anunciados pelas autoridades nacionais para esclarecer o caso, mas enfatizou a importância de uma investigação abrangente e transparente, focada na responsabilização.
A Conferência Episcopal de Moçambique, por meio do seu presidente, Dom Inácio Saúre, Arcebispo de Nampula, apelou à fé e à solidariedade fraterna neste momento de luto. Dom Osório Citora Afonso foi uma das figuras mais proeminentes da Igreja Católica moçambicana e trabalhou no Dicastério para a Evangelização, no Vaticano, entre 2017 e 2023.
O presidente Daniel Chapo também expressou profundo pesar pela morte do prelado, descrevendo-a como uma perda irreparável não só para a comunidade cristã, mas para a sociedade moçambicana como um todo.
O caso assume, assim, uma dimensão que ultrapassa a esfera religiosa e criminal, pressionando as autoridades moçambicanas a esclarecerem rapidamente as circunstâncias da morte de Dom Osório Citora Afonso. Para a Igreja, os fiéis e a comunidade internacional, a reivindicação central permanece a mesma: verdade, justiça e responsabilização.
Referir que o Papa Leão XIV nomeou Osório Afonso como bispo da Diocese de Quelimane em 25 de Julho de 2025. Uma nota biográfica do Vatican News refere que Afonso nasceu a 6 de Maio de 1972, em Ribaué, província de Nampula.
Frequentou o Seminário Preparatório Cristo-Rei, na Matola, em Maputo, e estudou Filosofia no Seminário Maior Santo Agostinho, na Matola, e Teologia em Kinshasa, na RDCongo. Fez a profissão solene em 2001 no Instituto Missionário da Consolata, em Kinshasa, e foi ordenado sacerdote a 3 de Novembro de 2002.
Entre outros cargos, foi vigário paroquial e económo de St Hilaire, em Kinshasa (2002-2005) e conselheiro regional para a RDCongo (2005-2006). Obteve a Licenciatura em Sagrada Escritura pelo Pontíficio Bíblico de Roma (2006-2010), fez estudos na Universidade Hebraica de Jerusalém (2008-2009) e na Écolo Biblique Archéologique Française de Jerusalém (2010-2011).
Foi também formador no Seminário Teológico Internacional de Bravetta, em Roma (2016-2023); Oficial do Dicastério para a Evangelização, Secção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares (2017-2023). A 21 de Setembro de 2023, foi nomeado bispo auxiliar de Maputo, tendo recebido a ordenação episcopal a 28 de Janeiro de 2024.





