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21 de June, 2019

Cabo Delgado possui ambiente de enriquecimento ilícito, defende OMR

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Um estudo, conduzido pelo Observatório do Meio Rural (OMR), uma organização da sociedade civil, defende existir entidades internacionais que tornaram a província de Cabo Delgado num lugar apropriado para o “enriquecimento ilícito”, para além do ambiente que se enfrenta naquele ponto do país demonstrar ser um autêntico “Far West”.

 

A constatação está expressa no documento que apresenta os primeiros resultados da pesquisa, dos quatro que compõem o estudo que analisa as diferentes situações, que caracterizam a província de Cabo Delgado e a região norte do país, no geral.

 

Para o OMR, a situação que se vive, em Cabo Delgado, é motivada pelo facto de, nos últimos 15 anos, ter-se desenvolvido uma grande euforia em torno da exploração dos recursos naturais, nomeadamente, madeira, marfim e pedras preciosas.

 

Assim, refere a primeira parte do estudo, constituíram-se complexas redes internacionais, em parceria com inúmeros indivíduos locais, em que se destacaram elementos próximos do poder central e local, frequentemente envolvidos em esquemas rendeiros.

 

Segundo a pesquisa, na província de Cabo Delgado desenvolveu-se um ambiente de “Far West”, marcado pela incapacidade do Estado em promover a fiscalização das actividades, assim como pela prática de corrupção e pelo oportunismo generalizado.

 

Paralelamente, destaca a pesquisa, a região norte do país, no geral, passou a constituir o palco de actuação de uma rede de tráfico global de heroína, proveniente do Afeganistão, que percorre a costa oriental africana, com destino à África do Sul, naquilo que se denomina “Rota do Sul”.

 

Os pesquisadores explicam que a referida rede goza de uma protecção política de “alto nível” para aceder às infra-estruturas portuárias e rodoviárias, tendo os lucros do tráfico da heroína desempenhado um papel discreto, mas notável, no financiamento de campanhas políticas do partido no poder.

 

Outro aspecto detalhado no estudo do OMR é referente à construção de estabelecimentos hoteleiros, naquela região do país (na sua maioria nunca chegam a atingir a sua capacidade máxima de ocupação), que, segundo os pesquisadores, lança a suspeição destes investimentos constituírem uma forma de lavagem de dinheiro.

 

Portanto, entendem os pesquisadores: “a realidade que existe em Cabo Delgado é uma narrativa local, que realça o enriquecimento de importantes figuras políticas nacionais, em resultado do envolvimento em negócios de madeira, marfim, pedras preciosas ou mesmo tráfico de drogas, num cenário de pobreza generalizada, despoletando a convicção de que os dirigentes se servem da proximidade do Estado em prol dos seus interesses, ao invés do benefício da população”. (Omardine Omar)

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