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23 de January, 2023

Estudante zambiano preso na Rússia por nove anos também acabou morrendo em Setembro lutando na Ucrânia

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O jovem de 23 anos de idade estudava Engenharia Nuclear no Instituto de Física de Engenharia de Moscovo, mas foi condenado a nove anos e meio de prisão em Abril de 2020 por delito de drogas. Duas semanas após a exigência da Zâmbia por informações, o grupo paramilitar russo Wagner admitiu que o recrutou para a “operação especial” de Moscovo na Ucrânia, acrescentando que ele se juntou voluntariamente antes de morrer “como um herói”.

 

A lei russa permite que um prisioneiro seja perdoado especificamente para uma “operação militar especial”, disse em Novembro do ano passado o ministro das Relações Exteriores da Zâmbia, Stanley Kakubo, que exigiu na altura uma explicação do Kremlin.

 

Lemekhani Nathan Nyirenda, que cumpria pena de prisão em Moscovo, faleceu em 22 de Setembro de 2022, na Ucrânia”, disse o ministro Stanley Kakubo, acrescentando que morreu “na frente de batalha”.

 

“O governo da Zâmbia solicitou às autoridades russas que forneçam informações urgentes sobre as circunstâncias em que um cidadão zambiano, cumprindo pena de prisão em Moscovo, poderia ter sido recrutado para lutar na Ucrânia, onde acabou perdendo a vida”, disse Kakubo.

 

Os restos mortais de Nyirenda foram transportados para a cidade fronteiriça russa de Rostov antes de serem repatriados ainda no ano passado para a Zâmbia, onde chegaram ao Aeroporto Internacional Kenneth Kaunda em Lusaka em 11 de Dezembro de 2022, num caixão improvisado. Autoridades ucranianas dizem que o grupo mercenário Wagner tem enviado milhares de soldados recrutados em prisões russas para a linha de frente, com a promessa de um salário e uma amnistia.

 

Vários soldados ucranianos na linha de frente em Bakhmut disseram que supostos ex-condenados estavam a ser usados como isca para atrair fogo e revelar as posições ucranianas. De acordo com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o grupo Wagner pode ter recrutado até 2.000 ex-prisioneiros para lutar na Ucrânia.

 

Estudantes de vários países africanos frequentam estabelecimentos de ensino superior na Rússia e em caso de cometimento de crimes poderão ser alvo de recrutamento ou destacados para a guerra na Ucrânia. (Carta)

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