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26 de August, 2026

HCM regista mais de 3 mil vítimas de acidentes de viação no primeiro semestre

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O Hospital Central de Maputo (HCM) registou 3.014 vítimas de acidentes de viação entre os meses de Janeiro e Junho de 2026, número que representa uma ligeira redução em relação ao mesmo período do ano passado, em que foram contabilizados 3.124 casos.

A informação foi avançada esta terça-feira pelo porta-voz da maior unidade sanitária do país, Dino Lopes, durante uma conferência de imprensa sobre a situação dos acidentes de viação e o impacto destes casos nos serviços daquela unidade sanitária.

Segundo o porta-voz do HCM, a média mensal de vítimas de acidentes de viação foi de 502 casos no primeiro semestre deste ano, contra 514 no período homólogo de 2025. Como consequência, também houve redução do número de óbitos, tendo-se registado 10 mortes por acidentes de viação contra 13 de igual período de 2025.

Dino Lopes explica igualmente que grande parte das vítimas que perderam a vida chegou ao hospital em estado grave, apresentando múltiplas lesões, incluindo fraturas de ossos longos e lesões torácicas, para além de traumatismos cranioencefálicos. A fonte disse ainda que, em alguns casos, os doentes chegaram já em choque hemorrágico, chegando a perder as suas vidas, apesar dos esforços das equipas médicas para a sua reanimação e estabilização.

O HCM diz que o elevado número de vítimas de acidentes de viação representa uma pressão significativa sobre os seus serviços, sobretudo nas áreas de neurocirurgia, ortopedia e traumatologia. As lesões cranianas graves, por exemplo, podem exigir intervenção cirúrgica, enquanto outros casos requerem tratamento conservador e internamento prolongado devido ao risco de complicações, como hematomas e edema cerebral.

As fraturas, particularmente entre as vítimas de acidentes envolvendo motociclos, também contribuem para o prolongamento do período de internamento. São frequentes as fraturas dos ossos longos e dos membros superiores e inferiores, situações que exigem tratamentos especializados e, em alguns casos, intervenções cirúrgicas.

O HCM recebe igualmente pacientes transferidos de outras províncias, incluindo Maputo e Gaza, entre os quais se destacam casos de quedas de coqueiros e outros acidentes que resultam em lesões graves e longos períodos de hospitalização.

Além da pressão sobre os serviços de saúde, os acidentes têm consequências sociais e económicas para as vítimas e suas famílias. A incapacidade temporária ou permanente pode obrigar os pacientes a abandonar as suas actividades profissionais, comprometendo o sustento familiar e a produtividade da população activa.

O porta-voz do HCM manifestou ainda preocupação com o aumento de casos de acidentes envolvendo motorizadas, cuja faixa etária é de 16 a 40 anos de idade. Refere ainda que a dimensão do problema exige uma abordagem de saúde pública que envolva diferentes sectores, incluindo entidades responsáveis pelo licenciamento e fiscalização da circulação de motociclos e outros veículos.

A unidade sanitária considera, entretanto, importante melhorar a recolha e análise dos dados sobre acidentes envolvendo motociclos. No segundo semestre, o HCM pretende passar a distinguir, nas suas estatísticas, os acidentes envolvendo motociclistas que trabalham como moto-táxis daqueles que utilizam motociclos para uso particular.

Refira-se que os acidentes de viação continuam sendo um problema de saúde pública, ceifando vidas humanas todos os dias em todo território nacional. Esta semana, por exemplo, 11 pessoas perderam a vida em resultado de um choque entre um camião e um transporte de passageiros, no distrito de Monapo, província de Nampula.

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