O Governador da Província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, ameaçou, esta terça-feira, encerrar, definitivamente, o Centro de Refugiados de Maratane, que acolhe cidadãos oriundos de diversos países africanos em situações de conflito armado.
A ameaça foi feita durante a visita de trabalho que o governante efectuou àquele centro, tendo apontado, como uma das razões, o facto de Maratane alegadamente estar a acolher cidadãos estrangeiros ilegais ou que se encontram em situação irregular no país.
“Nós vamos acabar aqui, claro. Nós vamos avaliar caso-a-caso e aquele que está ilegal, que não está bem, nós vamos devolver para a terra de origem. Nós queremos a legalidade aqui”, disse Abdala, antes retorquir às críticas provenientes dos refugiados.
“Você está aqui há 21 anos, está a comer, está bonito, está a vestir e está a reclamar, dizendo que nós não comemos bem. Não é mau isso? Você tem que nos agradecer. Nós demos a você tudo aquilo, agora estamos a enquadrar vocês. Fui visitar agora um centro com 250 famílias, estão ali a trabalhar, não me disseram que estão a comprar terra”, argumentou.
Em causa estão as críticas feitas pelos refugiados em relação à demora na concepção formal do asilo e na disponibilização da ajuda humanitária. Os refugiados dizem que o Governo é lento na tramitação do Estatuto de Refugiado, o que leva alguns a viver ilegalmente no país por mais de uma década, criando, assim, dificuldades no acesso ao emprego.
Os refugiados de Maratane dizem ainda estarem a passar fome devido à falta de assistência humanitária, uma situação que se arrasta há vários anos. Para minimizar a situação, cerca de 250 refugiados estão envolvidos em actividades agrícolas para a sua subsistência. Refira-se que se estima que, em Moçambique, existam cerca de 22 mil refugiados, dos quais 75% a 80% não têm estatuto de refugiado.





