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24 de July, 2026

África do Sul: detidos cinco agentes da Polícia por extorsão a um moçambicano

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Cinco agentes da Polícia sul-africana, da unidade de ordem pública, foram presos pela unidade anti-corrupção de Gauteng, no passado dia 12 de julho, por suposta extorsão de 20.000 rands a um moçambicano durante uma operação de patrulhamento e busca na região de West Rand. Eles já compareceram ao tribunal de Kagiso, acusados de corrupção.

A Polícia Sul-Africana (SAPS, na sigla em inglês) destacou a detenção do grupo como um marco importante no quadro dos esforços para combater a corrupção dentro das suas próprias fileiras.

Denúncias frequentes têm sido reportadas por comerciantes e cidadãos moçambicanos que cruzam a fronteira de Ressano Garcia/Lebombo, acusando alguns membros da Polícia sul-africana de práticas de extorsão e perseguição, exigindo pagamentos ilícitos mesmo a quem possui a documentação regularizada.

Além disso, em operações passadas, funcionários sul-africanos (como na fronteira de Lebombo) já foram detidos por facilitar esquemas de contrabando em troca de subornos. A criminalidade transfronteiriça e a conduta policial entre Moçambique e a África do Sul continuam a ser um tema crítico e de constante monitorização pelas autoridades de ambos os países.

Mais de doze mil estrangeiros ilegais detidos em três semanas

A África do Sul continua a intensificar o combate a imigração ilegal, tendo anunciado ontem a detenção de mais de 12 mil estrangeiros sem documentos nas últimas três semanas. Em comunicado divulgado esta quinta-feira, a Polícia sul-africana informou que só na última semana foram detidos 3.113 estrangeiros sem documentos, elevando o total para 12.009, durante operações realizadas com o Ministério do Interior, a Força de Defesa Nacional da África do Sul e outras agências de segurança pública.

A porta-voz da Polícia, tenente-coronel Amanda Van Wyk, disse que as operações fazem parte dos esforços para fortalecer a segurança da fronteira, aplicar as leis de imigração e combater o crime. Entre as prisões mais recentes está a de um estrangeiro de 37 anos de idade, supostamente flagrado na quarta-feira transportando 379 kg de cannabis, avaliados em mais de 7,5 milhões de rands, durante uma operação na N1 em Colesberg, no Cabo Ocidental.

Van Wyk afirmou que uma busca mais aprofundada levou à apreensão de 830 comprimidos de ecstasy, metanfetamina cristal e 300g de metcatinona, com um valor estimado de mercado de 154.800 de rands. Outras prisões recentes incluem a do sul-africano Doit Ndlovu, detido no posto fronteiriço de Groblersbridge, entre Limpopo e Botswana, por alegadamente transportar 11 estrangeiros sem documentos, e a de um cidadão do Zimbabwe, detido em Mokopane, Limpopo, por alegadamente possuir cannabis sativa e 48 frascos de xarope para a tosse, suspeitos de se destinarem ao comércio ilícito.

Embora a aplicação das leis de imigração continue sendo uma prioridade, a Polícia sul-africana reitera que todas as pessoas devem ser tratadas com dignidade e em conformidade com a Constituição.

O público foi instado a evitar a justiça pelas próprias mãos [fomentada pelos membros do Movimento anti-imigração March and March para agravar as tensões xenófobas] e a denunciar actividades criminosas suspeitas através de canais apropriados.

Xenofobia alimentada por má liderança, diz Motlanthe

O ex-presidente sul-africano Kgalema Motlanthe afirmou que as falhas de governação e a falta de um crescimento económico sustentável são os motivos pelos quais a violência xenófoba e agitação social continuarão na África do Sul.

No seu discurso, no seminário de inverno da Fundação Motlanthe, que tem como foco a migração, destacou a competição por recursos e oportunidades limitadas entre as comunidades pobres. Avançou que esses recursos e oportunidades estão sendo explorados por líderes políticos “ oportunistas e populistas”.

O antigo presidente sul-africano sublinhou que o governo deve agir para evitar que “todo o tipo de criatura assustadora” ocupe o vazio do poder, alertando que a agitação social relacionada a estrangeiros ilegais e as reivindicações por serviços públicos representam uma ameaça à estabilidade política e social.

“Xenofobia por definição significa medo de estranhos, e por extensão, hoje em dia significa medo de estrangeiros. Amanhã o povo de Soweto poderá dizer o mesmo do povo de Alexandra, e vice-versa”, disse Motlanthe.

O Presidente Cyril Ramaphosa dialogou com líderes tradicionais e de organizações que instigam o sentimento anti-imigração e a violência xenófoba, uma medida que ajudou a evitar tumultos generalizados, mas Motlanthe afirmou que o governo deveria ter agido antes. “É preciso haver uma resposta imediata. Responder não significa ter todas as respostas, mas pelo menos a resposta deve mostrar que você está ouvindo. Estamos mais uma vez aprendendo uma lição difícil”, disse Motlanthe.

Recorde-se que em 22 de Setembro de 2008, Kgalema Motlanthe foi nomeado pelo seu partido, o ANC, como presidente da África do Sul, após a renúncia de Thabo Mbeki. Ele chefiou o país durante sete meses e meio, entre 25 de Setembro de 2008 e 9 de Maio de 2009.

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