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8 de July, 2026

Governo já repatriou 1.363 moçambicanos afectados por ataques xenófobos na África do Sul

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O Governo anunciou que já repatriou 1.363 cidadãos moçambicanos afectados pelos ataques xenófobos e pelas manifestações anti-imigração registadas na República da África do Sul, desde o recrudescimento da violência, a 30 de Junho.

A informação foi avançada esta terça-feira (7), durante a 19ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, que apreciou a situação dos cidadãos nacionais afectados pela onda de violência em várias províncias sul-africanas.

Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, as manifestações intensificaram-se nas últimas semanas e têm sido marcadas por ataques a residências, incêndios, saques, agressões físicas, intimidações e expulsões forçadas de cidadãos estrangeiros das comunidades onde residiam.

A violência, inicialmente circunscrita a algumas localidades, alastrou-se para as províncias de Gauteng, KwaZulu-Natal, Mpumalanga, Limpopo e, posteriormente, North West.

Desde o início dos ataques, 1.363 moçambicanos regressaram ao país, dos quais 625 entre os dias 1 e 4 de Julho.

O Executivo informou que está a desenvolver acções para assegurar a reintegração sócio-económica dos cidadãos repatriados, através do levantamento das suas qualificações profissionais e da identificação de oportunidades de emprego.

Dos 1.363 cidadãos regressados, 809 declararam possuir uma profissão. Entre estes, destacam-se 363 pedreiros, 102 artesãos, 87 pintores e 77 empregadas domésticas. Há ainda registo de electricistas, ladrilhadores, carpinteiros e canalizadores, embora em número inferior a 20 profissionais em cada uma destas especialidades.

No âmbito deste processo, o Ministério do Trabalho e Acção Social, em coordenação com o Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC), está a promover a certificação profissional dos repatriados, com vista ao seu enquadramento em programas de mobilidade laboral, ao abrigo de memorandos de entendimento celebrados com países parceiros, entre os quais Portugal e os Emirados Árabes Unidos.

O Conselho de Ministros revelou ainda que se registou um aumento significativo da entrada de cidadãos malawianos em território moçambicano, provenientes das fronteiras de Ressano Garcia e da Ponta do Ouro, em trânsito para o Malawi.

Desde Junho, 6.156 cidadãos malawianos foram transportados para a fronteira de Zóbuè, na província de Tete, dos quais 771 nos últimos dias, com o apoio do Governo de Moçambique.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação continua a trabalhar em articulação com a Embaixada do Malawi em Moçambique para reforçar a coordenação das operações de transporte e da assistência prestada aos cidadãos malawianos que atravessam o território nacional rumo ao seu país de origem.

O Governo assegurou que continuará a acompanhar a evolução da situação na África do Sul, prestando assistência aos cidadãos moçambicanos afectados pela violência xenófoba e reforçando a coordenação com os países da região para responder aos impactos da actual crise migratória.

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