*MONTEPUEZ* – *Daniel Chapo aproveitou o primeiro comício da sua visita de trabalho a Cabo Delgado para apresentar três compromissos que procurou colocar no centro da acção do Estado: pagar os salários da Função Pública com maior regularidade, fazer com que a riqueza mineral beneficie mais os moçambicanos e consolidar a paz através do diálogo. As mensagens foram transmitidas depois de uma visita à Exposição das Potencialidades Socioeconómicas da província, onde o Presidente contactou com produtores, associações e pequenos empresários, muitos deles beneficiários de programas públicos de financiamento.*
A exposição abriu a agenda pública da visita e funcionou como uma montra da estratégia económica que o Governo pretende afirmar em Cabo Delgado. Entre os projectos apresentados encontravam-se iniciativas apoiadas pelo Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), um programa que, segundo o mais recente relatório do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, financiou 1.494 projectos na província, criou 2.248 postos de trabalho e executou 65,66 milhões de meticais de uma dotação global de 83,18 milhões atribuída ao ciclo de 2025.
Foi depois desse percurso que Daniel Chapo subiu ao palco e começou por dirigir-se aos funcionários públicos. Num dos principais anúncios da intervenção, afirmou que o Governo está a reorganizar a gestão financeira do Estado para garantir maior previsibilidade no pagamento dos vencimentos.
“Estamos a fazer tudo por tudo para que o salário do funcionário público entre cada vez mais cedo”, afirmou, sustentando que, antes de 25 de Junho, “todos os funcionários públicos já tinham o salário nas suas contas”.
O Presidente acrescentou que o Executivo pretende igualmente responder a outra reivindicação antiga dos trabalhadores do Estado. “Vamos continuar a trabalhar para retomar o pagamento das horas extraordinárias”, assegurou, sem indicar um calendário para a concretização dessa medida.
Depois de abordar a Administração Pública, Chapo deslocou o discurso para um dos temas mais sensíveis em Cabo Delgado: a exploração dos recursos minerais. Num distrito cuja economia está profundamente ligada aos rubis, defendeu que as recentes alterações legislativas procuram alterar a forma como a riqueza produzida pelo sector é distribuída.
“Aprovámos leis para que os moçambicanos sejam donos dos seus recursos. Não queremos que venham estrangeiros explorar os jovens moçambicanos”, afirmou perante a população de Montepuez.
A declaração remete para o pacote legislativo aprovado recentemente para o sector extractivo, que introduz novas regras para a exploração mineira, reforça a participação do Estado nos empreendimentos e procura aumentar o valor acrescentado que permanece no país através do processamento local dos recursos minerais. Sem entrar em detalhes técnicos sobre as alterações, o Presidente resumiu a filosofia das reformas numa ideia simples: a riqueza do subsolo deve gerar benefícios mais visíveis para os cidadãos moçambicanos.
Foi nessa linha que apelou à criação de cooperativas para a exploração mineira, defendendo que os pequenos operadores se organizem para participar de forma mais activa no sector.
“Temos de nos organizar em cooperativas para sermos donos do nosso ouro, do nosso rubi e da nossa riqueza”, declarou.
A referência ganha particular significado em Montepuez, um dos principais centros mundiais de produção de rubis, onde convivem grandes empresas mineiras, exploração artesanal e comunidades que há anos reivindicam uma participação mais directa nos benefícios gerados pelos recursos naturais.
Na parte final da intervenção, Daniel Chapo voltou-se para o tema da paz, preferindo uma abordagem política à dimensão militar do conflito que afectou a província. “A base para a paz é o diálogo”, afirmou, defendendo que a estabilidade de Cabo Delgado dependerá da capacidade de preservar o entendimento entre os moçambicanos e de criar condições para que o desenvolvimento económico se consolide.
Os três temas acabaram por definir a mensagem política do primeiro dia da visita presidencial. Depois de começar a agenda diante de uma exposição que procurou mostrar uma província em recuperação económica, Chapo utilizou o comício popular para apresentar a visão do Governo para essa nova fase: um Estado que procura cumprir melhor as suas obrigações perante os funcionários públicos, aumentar a participação dos moçambicanos na riqueza produzida pelos recursos naturais e consolidar a paz através do diálogo. Em Montepuez, foi essa combinação entre economia, governação e estabilidade que marcou o arranque da deslocação presidencial a Cabo Delgado.

