A Força Local do distrito de Muidumbe – uma milícia formada por combatentes da luta de libertação nacional e seus descendentes (filhos e netos) – está a ser acusada de perseguir cidadãos indocumentados naquele distrito da província de Cabo Delgado.
Segundo fontes, que alegadamente foram vítimas da “rusga” dos antigos combatentes, a Força Local vive perseguindo e intimidando todo o cidadão que circula por Muidumbe sem documentos de identificação. Afirmam ainda que a milícia os têm associado aos terroristas por alegadamente serem de etnias diferentes da dominante.
O distrito, sublinhe-se, é dominado pela etnia maconde e as fontes afirmam que os muanis e macuas sofrem estigma e perseguição por supostamente serem as etnias dominantes entre os membros do grupo terrorista que semeia luto na província de Cabo Delgado desde 2017. Para evitar agressões físicas, as vítimas são obrigadas a pagar valores monetários à Força Local, cobranças que, em algumas ocasiões, superam 1.000,00 Meticais.
Refira-se que esta não é a primeira vez em que a Força Local é acusada de violação de direitos humanos e de cobranças ilícitas aos cidadãos, uma prática que também é comum entre as Forças de Defesa e Segurança e os insurgentes. Em quase todos os distritos de Cabo Delgado há reclamações de desmandos cometidos pela Força Local, uma milícia criada com objectivo de complementar o trabalho desenvolvido pelas Forças de Defesa de Segurança.
Fontes ouvidas pela “Carta” olham para as cobranças ilícitas da Força Local como uma forma de financiamento adoptada pela milícia para fazer face às dificuldades financeiras. Lembre que as cobranças ilícitas também são usadas pelos terroristas para financiar as suas acções, com destaque para a montagem de portagens.





