A Confederação das Associações Económicas de Moçambique antevê uma recuperação gradual da actividade económica para os próximos meses, suportada pela continuação da estabilidade macroeconómica e pela normalização progressiva das actividades produtivas em algumas regiões do país. As projecções foram apresentadas durante o XX Economic Briefing, realizado há dias na cidade de Maputo.
“Todavia, esta recuperação continuará dependente da capacidade colectiva de enfrentar desafios estruturais que persistem há vários anos. Entre eles, destacam-se a melhoria do acesso ao financiamento, a regularização dos pagamentos em atraso do Estado ao sector privado, o reforço da disponibilidade de divisas, a modernização das infra-estruturas económicas e a aceleração das reformas orientadas para a competitividade”, disse o Presidente da CTA, Álvaro Massingue.
Os empresários fazem boas perspectivas depois de o primeiro trimestre ter sido largamente turbulento, devido a efeitos combinados de choques internos (sobretudo cheias) e externos (guerra no Médio Oriente e na Ucrânia) que condicionaram o desempenho da actividade económica e a confiança empresarial.
“Entre os principais desafios destacam-se impactos das calamidades naturais que afectaram várias regiões do país, as limitações persistentes no acesso a divisas, as pressões sobre o abastecimento de combustíveis e um ambiente internacional marcado por crescentes incertezas geopolíticas e económicas”, afirmou Massingue.
Os dados recolhidos pela CTA apontam para uma desaceleração da actividade económica entre Janeiro e Março. Como consequência, o Índice do Ambiente Macroeconómico reduziu de 62% no último trimestre de 2025 para 55% no primeiro trimestre de 2026, evidenciando um enfraquecimento das condições gerais de funcionamento da economia e um aumento das preocupações do sector empresarial.
“Esta conjuntura teve igualmente reflexos na capacidade de resistência das empresas. O Índice de Robustez Empresarial reduziu-se de 28% para 26%, sinalizando uma deterioração da resiliência empresarial face aos múltiplos choques económicos e operacionais observados ao longo do período”, detalhou o Presidente da CTA.
Segundo o empresário, esta evolução é explicada, em grande medida, pelos danos provocados pelas cheias em infra-estruturas produtivas, equipamentos e stocks empresariais, particularmente nas províncias de Gaza e Maputo, bem como pelas interrupções verificadas nas cadeias de abastecimento, que limitaram a circulação de pessoas e mercadorias, afectando simultaneamente o acesso aos insumos e a comercialização dos produtos finais.
Para a CTA, estes indicadores mostram que, apesar dos progressos alcançados em algumas variáveis macroeconómicas, muitas empresas continuam a operar sob forte pressão, exigindo respostas coordenadas que reforcem a capacidade produtiva e a competitividade da economia nacional.
Presente no evento, o Ministro da Economia, Basílio Muhate, disse que o Governo está ciente do actual quadro macroeconómico, mas pediu o reforço da cooperação entre o Executivo e o sector privado, visando fortalecer a resiliência da economia e criar condições para um crescimento sustentável e inclusivo.
“Estamos conscientes de que a melhoria do ambiente de negócios requer previsibilidade, estabilidade e um quadro de reformas claro e consistente. É neste contexto que o Governo está a promover a elaboração do Plano de Acção para a Melhoria do Ambiente de Negócios, instrumento que definirá as principais reformas destinadas a impulsionar a competitividade, o investimento e o desenvolvimento do sector privado”, disse Muhate, tendo apelado à participação activa do sector privado no processo.
Muhate concluiu o seu discurso reiterando a disponibilidade do Governo para continuar a trabalhar em estreita colaboração com a CTA e demais parceiros, na busca de soluções que contribuam para a estabilidade económica, a criação de emprego e a melhoria das condições de vida dos moçambicanos.




