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17 de June, 2026

Governo considera xenofobia um “tema sensível” devido aos laços históricos entre Moçambique e África do Sul

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O Governo moçambicano garante estar a acompanhar com atenção a situação dos cidadãos nacionais afectados por episódios de violência e manifestações de xenofobia na África do Sul, considerando o tema como “sensível” devido aos históricos laços sociais e económicos entre os dois países.

Falando ontem à saída da 17.ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, Salim Valá, porta-voz do Executivo, reconheceu que a xenofobia contra cidadãos africanos, na África do Sul, não é inédita, sublinhando que os seus impactos atingem directamente milhares de famílias moçambicanas que dependem do rendimento obtido pelos migrantes no país vizinho.

Salim Valá recorda que a relação entre Moçambique e África do Sul tem raízes históricas profundas, sobretudo nas províncias do sul do país, onde durante décadas muitas famílias passaram a depender do emprego ligado à actividade mineira, agrícola e a outros sectores económicos sul-africanos.

A ligação, explica, intensificou-se desde o período do desenvolvimento da indústria mineira sul-africana, continuando a representar uma importante fonte de sustento para numerosas comunidades moçambicanas.

O Executivo defende que, sempre que surgem episódios de violência xenófoba na África do Sul, os efeitos são sentidos em Moçambique, tanto pela redução do rendimento familiar como pelo impacto no consumo e nas condições de vida das comunidades dependentes da migração laboral.

Face a esta realidade, o Governo diz ainda estar a articular com as autoridades sul-africanas, por um lado, e, por outro, a reforçar o diálogo junto das comunidades moçambicanas que se encontram naquele país, apelando ao respeito pelas normas migratórias e aos cuidados necessários perante o contexto existente.

Cinco corpos aguardam transladação

No entanto, em comunicado de imprensa emitido na noite desta terça-feira, o Gabinete de Informação (GABINFO) anunciou o fim da missão da Comissão Intersectorial do Governo de Moçambique, na África do Sul, constituída na semana passada.

De acordo com a nota, a Comissão chefiada por Maria de Fátima Simão Manso, Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, alcançou entendimentos com as autoridades sul-africanas para reforçar a assistência aos cidadãos moçambicanos afectados pela violência contra imigrantes.

Entre os compromissos assumidos pelo governo sul-africano está a prestação da assistência humanitária e apoio ao transporte dos cidadãos moçambicanos que decidam regressar voluntariamente ao país. “Foi igualmente acolhida a proposta de realização de um encontro entre os Ministros responsáveis pela área migratória dos dois países, bem como o aprofundamento da cooperação em matéria de recrutamento laboral regular e transporte de bens dos cidadãos afectados”, refere a nota.

Para além de encontros com autoridades sul-africanas, a Missão moçambicana reuniu-se também com a Organização Internacional para as Migrações, de onde recebeu garantias de apoio em situações de maior vulnerabilidade, com prioridade para mulheres, recém-nascidos e crianças.

“Relativamente às vítimas mortais registadas em Mossel Bay, província do Cabo Ocidental, um dos corpos já foi trasladado para Moçambique, enquanto decorrem os procedimentos necessários para a trasladação dos restantes cinco, uma operação cujas despesas estão a ser suportadas pelo Governo de Moçambique”, revela a fonte, sublinhando a persistência de manifestações e discursos anti-imigração em algumas regiões da África do Sul, “situação que continua a ser acompanhada pelas autoridades moçambicanas”, através da sua representação naquele país.

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