Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

2 de June, 2026

Dívida não assumida pelo Estado no Banco Central sobe em 13.6 mil milhões de Meticais em 2025

Escrito por

Começa a tornar-se uma normalidade a aprovação, com reservas, todos os anos, das Contas Anuais do Banco de Moçambique, o regulador do sistema financeiro nacional. Em 2025, o Auditor Independente das Demonstrações Financeiras do Banco Central voltou a expressar reservas em relação ao desempenho da instituição, devido à dívida acumulada pelo Estado desde 2005, na sequência das flutuações cambiais.

“Em nossa opinião, excepto quanto aos efeitos (ou possíveis efeitos) das matérias referidas na secção ‘Bases para a opinião com reserva’, as demonstrações financeiras individuais e consolidadas anexas apresentam de forma verdadeira e apropriada, em todos os aspectos materiais, a posição financeira individual e consolidada do Banco em 31 de Dezembro de 2025, o seu desempenho financeiro individual e consolidado e os fluxos de caixa individuais e consolidados relativos ao ano findo naquela data, de acordo com a Lei Orgânica do Banco de Moçambique е normas próprias baseadas nas Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS)”, defende a Forvis Mazars SCAC, Lda., empresa que auditou as contas de 2024 e 2025 do Banco Central.

O Auditor diz que o Estado moçambicano continua a não assumir as suas responsabilidades, sendo que a dívida subiu em 13.611.010 mil Meticais, em apenas 12 meses. “Continuamos a constatar que o Estado moçambicano não assume as suas responsabilidades desde o exercício de 2005, no montante acumulado de 128.977.662 milhares de Meticais [em 2024, o valor era de 115.366.652 milhares de Meticais]”, descreve a fonte.

Igualmente, o Auditor diz que “o Banco [de Moçambique] também não procedeu ao registo nas suas demonstrações financeiras individuais e consolidadas de juros e rendimentos associados a esta dívida do Estado Moçambicano, no montante de 27.698.958 milhares de Meticais [em 2024 era de 27.648.902 milhares de Meticais]”.

Aliás, a fonte defende que, em relação ao registo de juros e rendimentos associados à dívida do Estado, verificou-se limitações no processo de validação da rubrica de flutuações de valores em moeda estrangeira, devido à incapacidade do sistema contabilístico em permitir a extracção do mapa de reavaliação cambial por moeda. “Consequentemente, não nos foi possível obter evidência de auditoria suficiente e apropriada relativamente aos saldos acima referidos, com referência a 31 de Dezembro de 2025”, atira.

Sublinhar que as contas do Banco de Moçambique vêm sendo aprovadas com reserva há muitos anos, mas sem qualquer solução. Nas contas de 2022, os auditores reportaram uma dívida acumulada de 90.324.177 mil Meticais, sendo que os proveitos acumulados associados à referida dívida ascendiam a 17.295.404 mil Meticais. Ou seja, nos últimos três anos, a dívida cresceu em cerca de 38.7 mil milhões de Meticais.

Visited 60 times, 60 visit(s) today

Sir Motors

Ler 61 vezes