Moçambique poderá enfrentar um novo ciclo climático marcado por seca nas regiões sul e centro e ocorrência de cheias e inundações no norte do país, devido à possível influência do fenómeno El Niño durante a época chuvosa e ciclónica 2026/2027.
O alerta foi lançado ontem, em Maputo, pelo porta-voz do governo, Inocêncio Impissa, durante o habitual briefing à imprensa, tendo afirmado que o Executivo acompanha com preocupação a persistência de vulnerabilidades climáticas, apesar da redução do número de afectados registados na época chuvosa e ciclónica 2025/2026.
Segundo o balanço apresentado, mais de 1,07 milhão de pessoas foram afectadas por cheias, inundações, ciclones tropicais e surtos de cólera em diferentes regiões do país, número correspondente a cerca de 39,6 por cento do cenário previsto no Plano Anual de Contingência.
“O envolvimento do Presidente da República, da Primeira-Dama, do governo central, autoridades locais, parceiros de cooperação e sociedade civil contribuiu de forma determinante para a redução significativa dos impactos humanos registados”, afirmou.
Ainda assim, o Executivo reconhece que a repetição de impactos nas mesmas bacias hidrográficas evidencia fragilidades estruturais e reforça a necessidade de investimentos em ordenamento territorial, reassentamento populacional e infra-estruturas resilientes.
Durante a época ciclónica formaram-se 11 sistemas meteorológicos na região sudoeste do Oceano Índico, dos quais nove evoluíram para ciclones tropicais e quatro atingiram a categoria de ciclones intensos. Entre os fenómenos registados destaca-se o ciclone “Jude”, que afectou as províncias de Inhambane e Gaza.
Segundo o governo, permanecem activos 22 centros de acomodação que acolhem mais de 4.600 pessoas nas províncias de Maputo, Gaza e Niassa. As autoridades garantem que prosseguem as acções de assistência humanitária, incluindo mobilização de recursos para construção de habitações e estabilização das famílias afectadas.
De acordo com as previsões meteorológicas apresentadas ao Conselho de Ministros, espera-se ocorrência de chuvas abaixo do normal nas regiões sul e centro do país, enquanto a região norte poderá registar precipitação acima da média. “Recomenda-se o reforço das medidas de preparação para a seca nas regiões sul e centro, bem como acções de prevenção de cheias e inundações na região norte”, disse Impissa.
Nos próximos 14 dias prevê-se precipitação acumulada entre 10 e 60 milímetros nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia e nas faixas costeiras de Nampula e Cabo Delgado. O governo considera que, apesar da redução do número de vítimas mortais, a recorrência de eventos extremos demonstra a necessidade de aprofundar medidas estruturais de adaptação às mudanças climáticas e reforçar os mecanismos nacionais de prevenção e resposta a desastres.





