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18 de May, 2026

Crise de combustíveis: AMEPETROL continua a apontar falta de moeda externa

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Apesar do reajuste dos preços dos combustíveis, o país continua a enfrentar uma crise de combustíveis sem precedentes, nos principais centros urbanos e a AMEPETROL (Associação Moçambicana de Empresas Petrolíferas) continua a apontar a falta de divisas como um dos factores que contribui para a persistência da crise no fornecimento de combustíveis. Com a escassez de divisas, as petrolíferas dizem, recorrentemente, enfrentar dificuldades para emitir garantias bancárias.

“Sempre a AMEPETROL deixou claro que a crise estava associada às dificuldades de emissão de garantias bancárias para cobrir as novas encomendas. Essa é a principal razão da escassez associada ao incremento dos custos do produto no fornecedor derivado de outros factores (incremento de frete, seguro, etc.) por conta do conflito no Médio Oriente”, disse o Secretário-Geral da AMEPETROL, Ricardo Cumbe, respondendo a perguntas da “Carta”.

A falta de divisas continua a ser apontada como o principal motivo da crise de combustíveis, numa altura em que o Banco de Moçambique ainda não equaciona voltar a subsidiar a factura de combustíveis, como vinha fazendo até meados de 2023.

Comentando sobre o reajuste feito pelo Governo, Cumbe disse que obedeceu à lei, pelo que o regulador cumpriu com o decreto no que tange ao cálculo. “Contudo, dado o cenário de incremento exponencial do preço mês a mês, a média ponderada no custo dos últimos dois meses não vai permitir a rápida recuperação da diferença entre o preço apurado no País versus o praticado nos países vizinhos, continuando assim a deixar a pressão sobre os consumidores provenientes de todos os países da zona Austral”, sublinhou a fonte.

O Secretário-Geral da AMEPETROL não deixou de fora a possibilidade da persistência do açambarcamento de combustíveis, pois “com a variação dos preços esta possibilidade não fica de fora, pois, deixa espaço para oportunismo interno e externo, incluindo o mercado paralelo, por consequência das vendas feitas em recipientes inapropriados”.

Aliado à persistência da crise de divisas, Cumbe apontou também o incremento do preço do produto no fornecedor. Segundo a Economic Trading, os preços do petróleo bruto (brent) subiram para mais de 109 USD por barril na última sexta-feira e aumentaram 8,1% na semana, à medida que o Estreito de Ormuz permaneceu efectivamente fechado, mantendo as preocupações globais com a oferta elevada. Os esforços para acabar com o conflito permanecem paralisados, com interrupções continuando a impactar os mercados de energia e a alimentar temores de inflação.

O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, enviou mensagens mistas sobre a situação, primeiro dizendo que os EUA não precisavam do Estreito aberto, antes de afirmar ao lado do presidente chinês Xi Jinping que “queremos os estreitos abertos.”

A Agência Internacional de Energia alertou na última semana que o mercado de petróleo pode permanecer severamente sub-abastecido até Outubro, mesmo que os combates terminem no próximo mês. Os estoques de petróleo continuam a apertar-se, enquanto o tráfego de petroleiros através de Ormuz permanece extremamente limitado, com apenas um pequeno número de embarcações conseguindo deixar o Golfo Pérsico desde o início do conflito.

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