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Actualizado de Segunda a Sexta

6 de May, 2026

Moçambique e África do Sul apelam à calma face à violência xenófoba

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O Chefe de Estado, Daniel Chapo, afirmou ontem, em Pretória, que a sua visita de trabalho à vizinha África do Sul resultou em entendimentos relevantes para o reforço da cooperação bilateral, ao mesmo tempo que apelou à calma e rejeitou qualquer resposta violenta perante relatos de ataques contra estrangeiros africanos, incluindo moçambicanos.

Falando no termo da missão de trabalho, Chapo classificou a deslocação como uma jornada “marcada por uma agenda objectiva, centrada no aprofundamento de relações político-diplomáticas e económicas entre os nossos dois países”, sublinhando que os consensos alcançados com o seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, reforçam os laços históricos de amizade, solidariedade e cooperação entre os dois Estados.

No plano económico, os dois Chefes de Estado acordaram acelerar a implementação de acções concretas em sectores estratégicos como energia, recursos minerais, agricultura, indústria, transportes e logística, com vista à materialização efectiva dos compromissos assumidos no quadro da cooperação bilateral.

“Acordámos na necessidade de acelerar a implementação de acções concretas por parte das equipas técnicas dos dois países, com vista à materialização efectiva dos compromissos assumidos”, afirmou o Chefe do Estado moçambicano, citado em nota de imprensa.

A situação de segurança dos moçambicanos residentes na África do Sul ocupou igualmente lugar de destaque no encontro. Chapo manifestou “profunda preocupação em relação às manifestações, actos de violência e intolerância dirigidos contra estrangeiros africanos, incluindo moçambicanos”, mas disse confiar na liderança sul-africana para garantir a protecção de todos os cidadãos residentes naquele país.

Num apelo directo à serenidade, o estadista moçambicano rejeitou qualquer tentativa de retaliação, defendendo que a paz e o diálogo devem prevalecer como resposta à tensão. “O ódio não constrói, a violência não constrói, se nós queremos construir o desenvolvimento temos que desenvolver ou construir com paz e segurança, e a violência não se responde com violência, o ódio não se responde com ódio”, afirmou.

Recordando o legado histórico comum entre os dois povos, Chapo sublinhou que moçambicanos e sul-africanos estiveram unidos na luta pela independência de Moçambique e no combate ao regime do apartheid, defendendo que esse espírito de irmandade deve continuar a nortear as relações entre os dois países.

Na interacção com jornalistas, o Presidente da República alertou ainda para a circulação, nas redes sociais, de informações não confirmadas sobre alegados ataques contra estrangeiros, algumas acompanhadas de vídeos fora de contexto ou provenientes de outros países, o que, segundo advertiu, contribui para alimentar o medo e a desinformação.

Perante esse cenário, reiterou o apelo à contenção. “A mensagem mais directa e incisiva para o povo moçambicano é aquela que eu já tinha dito e volto a dizer. Não se responde à violência com violência, não se responde ao ódio com ódio, responde-se com paz, com amor ao próximo e, sobretudo, à manutenção da segurança e harmonia na convivência entre os dois povos”, vincou.

Como medida de acompanhamento, Chapo anunciou a deslocação, nos próximos dias, da Ministra do Trabalho, Género e Acção Social à África do Sul, com a missão de contactar directamente as comunidades moçambicanas, em particular os trabalhadores mineiros, para avaliar a sua situação e responder a eventuais preocupações de ordem logística ou de segurança.

Segundo o Chefe do Estado, Cyril Ramaphosa condenou os actos de violência e os discursos radicais, assegurando que as autoridades sul-africanas vão trabalhar para repor a ordem e garantir a estabilidade.

Ao concluir o balanço da visita, Daniel Chapo reafirmou a solidez das relações diplomáticas entre Maputo e Pretória e defendeu uma integração económica regional mais robusta, reiterando que a estabilidade e a convivência pacífica são condições essenciais para o desenvolvimento comum.

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