O académico e activista social Adriano Nuvunga dirigiu uma carta pública aos ex-presidentes da República, manifestando-se contra o aumento de benefícios a si atribuídos, num contexto de crise económica no país. A posição surge após a divulgação de informações sobre o reforço das mordomias destinadas aos antigos presidentes, nomeadamente Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi.
Na carta, datada de 12 de Abril de 2026, Nuvunga afirma que a sociedade moçambicana reage “com indignação e revolta” ao anúncio de despesas que ultrapassam 15 milhões de meticais mensais, incluindo a aquisição de várias viaturas para cada antigo presidente.
O activista considera que tais benefícios representam “uma afronta”, num país onde grande parte da população enfrenta dificuldades económicas. Defende ainda que a dignidade de um antigo Chefe de Estado não depende de privilégios materiais, mas sim do legado deixado durante o exercício do poder.
No documento, Nuvunga associa a actual crise económica e social do país a decisões tomadas durante mandatos presidenciais anteriores.
Destaca, em particular, o impacto das chamadas “dívidas ocultas”, relacionadas com o consulado de Guebuza, e aponta o agravamento da situação durante o mandato de Nyusi, referindo problemas como corrupção sistémica, violência política e alegadas ligações ao narcotráfico.
Apesar de reconhecer a existência de uma base legal para os benefícios, o activista questiona a sua legitimidade moral e política, classificando a medida como injusta.
A carta termina com um apelo aos antigos Presidentes para que renunciem às regalias, em nome da responsabilidade histórica, e à sociedade moçambicana para que se posicione contra a medida.





