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10 de July, 2026

A dignidade por trás da farda: o que falta à Polícia da Ka-tembe

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Sofrer um assalto dentro da nossa própria casa é uma experiência violenta que nos despe o sentimento de segurança e nos deixa vulneráveis. No mês de Março, vivi essa realidade na pele e, como cidadão que cumpre os seus deveres, dirigi-me ao Posto da Polícia instalada no Ponto Final da Marinha para participar o crime.

No entanto, ao cruzar aquela porta em busca de amparo institucional, o meu sentimento de indignação mudou de direcção. Sentado ali, à espera de expor a minha inquietação, fui confrontado com uma realidade paralela e desoladora: a gritante precariedade das instalações onde os nossos agentes da autoridade são obrigados a operar todos os dias.

A ausência do básico para o funcionamento logístico daquele posto policial salta aos olhos de qualquer visitante atento. Entre a falta de material de escritório e condições estruturais mínimas, um detalhe marcou-me de forma profunda. Do lugar onde eu estava, era perfeitamente visível o espaço improvisado onde os agentes se trocam de roupa, despindo os seus trajes civis para envergar a farda do Estado. Ver homens e mulheres, que juraram proteger as nossas vidas com o risco da sua própria, a prepararem-se para o serviço num ambiente que carece da mais elementar privacidade e dignidade, é um murro no estômago do civismo.

Uma infra-estrutura condigna para a Marinha e Incassane, face ao acelerado crescimento demográfico e à importância económica que estes bairros assumiram, não é um luxo; é uma necessidade operacional básica. Vamos convir que, existe uma relação directa e inquestionável entre as condições físicas de trabalho e a qualidade da prestação da polícia no terreno. Oferecer um ambiente de trabalho salubre e estruturado é o primeiro factor de valorização e autoestima para qualquer trabalhador.

Quando o Estado falha em providenciar o mínimo para a dignidade dos seus agentes, mina silenciosamente a sua capacidade de resposta e o seu moral face à criminalidade organizada. A eficácia no combate e abortamento de tentativas de crimes na Ka-Tembe exige uma polícia motivada, equipada e respeitada pela própria instituição que representa. Exigir patrulhamento eficiente, tempos de resposta rápidos e uma actuação firme contra os criminosos que fustigam os nossos quarteirões torna-se uma cobrança injusta quando os agentes operam no limite da sobrevivência logística.

O posto policial da Marinha deveria ser um símbolo de autoridade, segurança e acolhimento para a comunidade, um “porto seguro” onde o cidadão se sente protegido assim que entra. Hoje, infelizmente, reflete apenas o isolamento institucional a que o sector da segurança pública está votado nesta margem da baía.

O desenvolvimento imobiliário e turístico que tanto orgulha a Ka-Tembe precisa de ser respondido por uma rede de segurança pública robusta. Investir na modernização e na reconstrução do posto policial da Marinha é salvaguardar o futuro do próprio bairro.

Precisamos de olhar para os nossos polícias não apenas como números num posto de serviço, mas como seres humanos que precisam de condições materiais para honrar a farda que vestem. Proteger quem nos protege é o primeiro passo para devolver a paz e a tranquilidade que os moradores da Marinha e Incassane tanto exigem e merecem.

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