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6 de April, 2026

Greve em Nacala-Porto: Renamo sabota sessão da Assembleia Municipal e Procurador Distrital critica funiconários grevistas

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A greve dos funcionários do Conselho Municipal da Cidade de Nacala-Porto, que decorre há dias, devido aos atrasos no pagamento de salários, dominou a Primeira Sessão Ordinária da Assembleia Municipal daquela autarquia, com a bancada municipal da Renamo a manifestar o seu descontentamento com a situação.

Segundo a bancada da Renamo, é inadmissível que os cerca de 600 trabalhadores daquela edilidade continuem sem salários pagos há três meses. A “perdiz” condena o facto e exige medidas urgentes por parte do executivo municipal.

Numa sessão marcada por troca de galhardetes entre a bancada da Renamo e o executivo municipal, as bancadas da Frelimo e do MDM tentaram apelar à calma e ao diálogo, porém, sem sucesso. Ao que “Carta” apurou, os membros da Renamo chegaram a entoar canções, incluindo em Emakhuwa, como forma de pressionar o executivo de Faruk Nuro a encontrar soluções para a situação, que afecta a prestação dos serviços municipais.

Procurador de Nacala-Porto tenta mediar o “conflito”

Com a cidade portuária de Nacala-Porto paralisada, o Procurador Distrital local, João Taimo, assumiu o papel de mediador e chamou os funcionários para uma reunião, na qual pediu ao grupo para que cessasse a greve em nome dos interesses difusos e colectivos.

No encontro, Taimo defendeu que o mecanismo usado pelos funcionários para reivindicar os seus direitos é errado pelo facto de estarem a prejudicar os funcionários disponíveis para trabalhar e os utentes que procuram diferentes serviços.

O tom e as palavras usadas por aquele magistrado do Ministério Público não agradaram aos grevistas, que acusaram Taimo de defender injustiças. Os grevistas afirmam que, no lugar de ouvir os pedidos de regresso ao trabalho, queriam ouvir soluções do problema.

Ao Procurador Distrital de Nacala-Porto, os funcionários do Conselho Municipal da segunda maior cidade da província de Nampula afirmaram que o seu descontentamento é agravado pela suposta falta de interesse do Edil de Nacala-Porto em dialogar com o grupo. Revelaram, aliás, que várias vezes pediram uma reunião com o Edil, mas Faruk Nuro tem declinado a recebê-los.

Refira-se que o município de Nacala-Porto está sob gestão da Frelimo desde 2024, cinco anos depois de ter estado nas mãos da Renamo, então maior partido da oposição. Trata-se, na verdade, de um território instável politicamente, marcado por convulsões, com a Frelimo e Renamo a dividir o protagonismo. (Carta)

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